Apresentação à segunda edição
“Velho” livro,
novo sentimento,
mesmo pensamento.
Quando, em outubro de 2004, recebi mensagem eletrônica da Senac-SP solicitando-me preparar a segunda edição deste livro, quase não acreditei e cheguei mesmo a me perguntar: como é possível que um “grosso tijolo” de quase 700 páginas, voltado essencialmente para a pesquisa histórica sobre a diplomacia econômica do século XIX, chegue à sua segunda edição pouco mais de dois anos depois de lançada a primeira? De fato, ao cabo de tão curto período, surpreendeu-me o itinerário editorial do livro mais “pesado” que redigi em muitos anos de produção livresca, tanto pela sua receptividade na comunidade de pesquisadores, como pelo interesse igualmente despertado junto aos estudantes dos cursos de relações internacionais existentes no Brasil.
Esse succès d’estime não
deixa de ser gratificante, na medida em que o livro tinha tudo para conhecer
um itinerário discreto, em virtude, justamente, de seu caráter
especializado e de suas proporções “avantajadas”.
Et pour cause: ele condensa o esforço de vários anos
de pesquisa solitária, de leituras acumuladas ao longo de uma dupla carreira
de diplomata e acadêmico, de muitos e muitos meses de paciente organização
dos materiais primários, de noites inteiras de cansativa dedicação
aos labores de redação e revisão, seguidas de tratativas
difíceis para lograr-se sua publicação no momento em que
sua primeira versão ficou pronta (1998). Ele ainda precisou esperar mais
de três anos – tempo no qual “engordou” um pouco mais
– até lograr-se a fórmula da co-edição, que
agora se repete, entre a Senac-São Paulo e a Fundação Alexandre
de Gusmão, do Ministério das Relações Exteriores.
Desejo registrar, neste momento, minha gratidão pelo apoio e confiança
demonstrados pelo ex-editor da Senac-SP, Alberto Parahyba Quartim de Moraes,
e pelo então presidente da Funag, Embaixador Álvaro da Costa Franco,
assim como meu sincero reconhecimento ao generoso prefaciador (antes, um minucioso
examinador da primeira encarnação deste livro, uma tese do Curso
de Altos Estudos do Itamaraty), Embaixador Alberto Vasconcellos da Costa e Silva.
A renovada confiança
da Senac-SP, assim como a pronta disposição da Funag, agora na
pessoa de sua presidente, Embaixadora Thereza Maria Machado Quintella, em associar-se
novamente a este empreendimento editorial, permitem, portanto, que o livro seja
entregue aos leitores numa segunda edição basicamente similar
à primeira. Com efeito, eu acredito que livros sejam como garrafas atiradas
ao mar: eles levam a mensagem de um determinado momento a praias e enseadas
distantes e devem poder se sustentar no formato original, sem novas interferências
do autor no texto inicialmente concebido.
Foram corrigidos pequenos erros
de digitação, atualizadas as notas de rodapé que pudessem
fazer menção à nova bibliografia disponível e, quando
pertinente, estendida até 2004 a informação constante dos
quadros analíticos relativos ao período contemporâneo. No
mais, este volume permanece igual ao original preparado para edição
no final de 2001, e sua nova publicação me incita, mais do que
nunca, a tentar concluir um segundo livro – que espero menos volumoso
– sobre a diplomacia econômica da primeira metade do século
XX – grosso modo, de 1889 até a conferência de Bretton Woods,
em 1944 – e, quem sabe até, avançar num terceiro volume,
trazendo a análise das relações econômicas internacionais
do Brasil até os nossos dias.
A concepção,
preparação, elaboração e acabamento deste livro
apenas foram possíveis devido à ajuda, leniência e compreensão
de Carmen Lícia, Pedro Paulo e Maíra, que suportaram pacientemente
este membro não convidado da família durante longos meses e mesmo
anos. A eles é dedicado este livro, com todo o amor e carinho.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, novembro de 2004