Quarta Onda de boatos: maio-julho de 2002

Preguiça dos fraudadores? Falta de imaginação?

Novos e surpreendentes desenvolvimentos:

Fevereiro de 2003: convite para um duelo sobre este dossier?!?

 

            Em finais de maio, e durante todo o mês de junho de 2002, as mesmas mensagens que já tinham circulado no início da terceira onda, em 2001, começaram a ser novamente disseminadas em listas individuais, aparentemente por iniciativa de professores de secundário, mas com uma característica comum: elas procuravam vincular a informação a um funcionário da Editora Abril, aparentemente desconhecido, inexistente ou "reciclado" em novos setores de atividade.

            Elas geralmente se apresentaram no formato transcrito abaixo (documento 1, e a despeito de que muito mais pessoas já estavam alertadas quanto ao seu caráter fraudulento, elas continuarm a circular, de maneira mais ou menos errática.

            Não há rigorosamente NADA de novidade nesta quarta onda, o que impede obviamente uma nova análise de conteúdo, mas isso não impediu novas matérias de imprensa sobre o episódio, inclusive em jornais estrangeiros.

            Estou organizando novo dossier com esses materiais recentes, mas desde já sinto-me na obrigação de alertar para o fato que sua leitura pode ser extremamente aborrecida: os autores ou iniciadores desta quarta onda parecem carecer singulamente de imaginação, ou então são incuráveis preguiçosos, uma vez que não têm nada de novo a oferecer.

 

Paulo Roberto de Almeida

4 de julho de 2002

 

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Acréscimo em Fevereiro de 2003:

 

Mensagem ameaçadora recebida de um "descontente" com o Dossier, convidando-me a um "duelo amazônico".

 

Como revelado no documento número 3, mais abaixo transcrito, este Dossier recebeu, em fevereiro de 2003, novos e surpreendentes desenvolvimentos, uma vez que fui atacado grosseiramente por pessoa não totalmente identificada, com ofensas pessoais e acadêmicas, inclusive com a formulação de um convite para uma "briga pessoal", o que certamente não corresponde ao meu modo pacato de ser.

Em todo caso, resolvi transcrever a correspondência recebida e minha própria resposta como mais um elemento informativo deste Dossier, colocando ambos os textos como documento 3, logo mais abaixo.

Espero com isso estar cumprindo minha "função pública" auto-assumida de assegurar uma plataforma transparente para a discussão honesta de todos os aspectos envolvidos neste controvertido dossier Amazônia, certamente um dos mais bizarros assuntos que fui chamado a tratar em uma vida de pesquisas e reflexões. Meu desejo sincero seria dar por encerrado este Dossier, que parece estar extravasando seu objetivo inicial de informação pública para converter-se em intercâmbio heterodoxo de mensagens pouco dignas de figura neste ambiente público que constitui a Internet.

 

Paulo Roberto de Almeida

9 de fevereiro de 2003

 

 

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Documento 1):

Formato típico de uma mensgem da quarta onda de boatos:

----- Original Message -----

From: Coplam Planejamento e Marketing Imobiliário

 

ABSURDO!!!!

 

Tentem divulgar para o maior número de pessoas.

Não podemos deixar isso acontecer!!

Amigos vejam mais esta dos EUA

Absurdo!!Absurdo!!

INDIGNAÇÃO

Para ficar indignado!

 

No dia 24/5 o jornal  "Estadão"  publicou sem destaque nenhum, e em três minúsculas linhas, a denúncia gravíssima de uma brasileira residente nos EUA.

Os livros de geografia de lá, estão mostrando o mapa do Brasil amputado, sem o Amazonas e o Pantanal. Eles estão ensinando nas escolas, que estas áreas são internacionais....ou seja, em outras palavras, eles estão preparando a opinião pública deles, para dentro de alguns anos se apoderarem de nosso território  com legitimidade.

Vamos passar este e-mail para o maior número de pessoas que conhecermos, e para que eles saibam que, embora eles não noticiem o fato, nós, povo, estamos sabendo. 

 

Celso Santos

Editora Abril S/A

Revista Casa Claudia

Fone: 11 3037-5925

Fax: 11 3037-5277

e-mail: cesantos@abril.com.br

<mailto:cesantos@abril.com.br>

 

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Documento 2):

 

Reportagem de jornal contendo entrevista com militares brasileiros sobre seu grau de preparação em defender a Amazônia contra qualquer ameaça externa

 

 

Documento 3)

 

Um debate Amazônico: ofensas e ameaças
Convite para um duelo?


Paulo Roberto de Almeida

 

Mensagem recebida por PRA em 9 de Fevereiro de 2002:


From: "Eduardo" <eduardo@wisedesign.com.br>
Organization: Wise Design
Date: Sun, 9 Feb 2003 15:03:54 -0300
To: <pralmeida@mac.com>
Subject: Verdade

 

Você fez um Dossiê da Amazonia. Eu tenho nojo de você, é tão podre quanto sua pobre vida. Quando você sitou meu sobrinho Danilo Enrico, você se colocou como um gay procurando garotões na Internet. Mas, saiba: O Brasil está mudando e vamos pegar vocês... Tenha certeza disto. Tenha piedade de suas mediocres obras, elas correspondem com seu ser ridículo. E saiba o Danilo Enrico Martuscelli é o melhor sociólogo pra responder pra esta expúria de cidadãos... Se quizer brigar comigo, briga de verdade, não se esconda debaixo das saias do USAs..


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Resposta, de Paulo Roberto de Almeida:


(em 9 de fevereiro de 2003):

 

Senhor “Eduardo”,
(as aspas se explicam porque não estou seguro de que a mensagem acima, não assinada, provenha efetivamente do expedidor referenciado como possuidor do endereço eletrônico eduardo@wisedesign.com.br e pertencente ao domínio de “Wise Design”),

 

Confesso que não sei como responder a tão raivosa e desarticulada mensagem, ainda que colocada sob a rubrica da “Verdade”.

 

Teria três opções:

 

(a) descartá-la como simples manifestação irracional de despeito;
(b) respondê-la com toda a seriedade que o tema merece, inclusive do ponto de vista da ameaça que me é feita em termos de segurança física (“…vamos pegar vocês...”), ainda que eu não saiba quais “vocês” estariam em causa, uma vez que o dossier sobre as fraudes em torno dos “mapas amazônicos” foi feito por uma pessoa e não por um grupo;
(c) incorporar sua mensagem como mais uma peça ilustrativa desse heteróclito dossier, repleto de mensagens bizarras como a sua.

 

Creio que o melhor seria proceder segundo as três sugestões acima, da seguinte forma:

 

(a) Primeira opção: descartar qualquer “diálogo”:

 

Senhor Eduardo,
Não tenho maiores informações sobre sua pessoa e sobre as razões que o motivam a escrever de forma tão grosseira e ameaçadora, inclusive de forma (parcialmente) anônima.
Não creio que deva entreter diálogo com pessoa dedicada a ofensas pessoais em matéria de interesse público, como o da fraude em torno de supostos “mapas amazônicos”, inclusive revelando parco conhecimento de Português e das regras mais elementares de boas maneiras.
PT, saudações,
Paulo R. de Almeida (pralmeida@mac.com; www.pralmeida.org)

(b) Segunda opção: responder, comentando os diversos pontos da mensagem:

Senhor Eduardo,
Apesar de sua mensagem, abaixo transcrita, ter vindo sem assinatura, supostamente de forma anônima, não foi difícil reconstituir a identidade do expedidor, seu endereço em São Paulo, bem sua vinculação, aliás não escondida, com “personagem” do “Dossier” sobre as fraudes em torno dos alegados mapas amazônicos, que coloquei de forma pública em meu website pessoal (www.pralmeida.org).

Sua mensagem permite-me oferecer os seguintes comentários pessoais:

1. “Você fez um Dossiê da Amazonia.”

PRA: Este é um fato indisputável: o dossier (com perdão do galicismo) está disponível na página acima indicada e uma introdução explica os motivos que me levaram a organizá-lo e depois colocá-lo publicamente disponível, umavez que o tema vinha sendo objeto de extensa, recorrente e repetida “corrente cibernética” de boatos em forma de mensagem eletrônica, ensejando um certo comportamento alarmista por parte de muitos cidadãos brasileiros, não conscientes de que se tratava de uma fraude deliberada, ou seja, de um mentira conscientemente disseminada de forma anônima clandestina pela Internet.

2. “Eu tenho nojo de você…”.

PRA: Trata-se de um direito seu, embora eu meu pergunte como tal atitude possa ser possível, uma vez que não nos conhecemos pessoalmente e não sei o que pode tê-lo motivado a tão repulsivo sentimento em relação a minha pessoa.
Tenho uma situação profissional muito bem definida (sou servidor público federal da carreira diplomática), inclusive do ponto de vista acadêmico (meu itinerário nesse campo está disponível em minha página, com ampla informação sobre todas as minhas obras, várias delas disponíveis aos muitos alunos e pesquisadores que me procuram) e meus interesses pessoais estão expostos de maneira clara e transparente nessa mesma página na Internet.
Sinceramente, não consigo atinar como posso ter determinado tal reação de asco numa pessoa que me parece algo instável psicologicamente.

3. “…é tão podre quanto sua pobre vida.”

PRA: Remeto aos comentários acima, mas apreciaria receber maiores esclarecimentos de sua parte sobre como e por que eu seria “podre” e por que minha vida seria “pobre”. Por certo, não sou uma pessoa rica, vivendo de meu próprio salário de funcionário público, com o qual educo dois filhos e tento viver modestamente com base apenas em meus interesses pessoais e intelectuais: livros, lazer cultural, algumas viagens e sobretudo uma dedicação pessoal à pesquisa histórica e econômica em temas brasileiros e de relações internacionais. Talvez isso seja uma “pobre vida”, mas não tenho nada além disso a revelar a conhecidos e desconhecidos como o Sr.

4. “Quando você sitou meu sobrinho Danilo Enrico,…”.

PRA: Apenas um primeiro comentário de natureza gramatical: “citou” se escreve com “c”, não com “s”. Não o citei, de verdade, apenas transcrevi uma irada correspondência que ele enviou-me a respeito de um assunto de interesse público.
Estou informado, portanto, que o Sr. é tio do Sr. Danilo Enrico Martuscelli, a quem tampouco conheço, mas com quem mantive uma breve e estranha correspondência em 19 e 20 de novembro de 2001, a propósito de minha pesquisa sobre as possíveis origens das mensagens que tentavam fazer acreditar a hipótese fantasiosa de livros escolares americanos contendo informações deturpadas sobre a Amazônia. Falar em “correspondência” seria algo exagerado, pois o que recebi dele, como agora do Sr., foi uma série de invectivas grosseiras (consignadas no documento nš 42, do meu Dossier 3 sobre a Amazônia), que tornaram impossível qualquer diálogo ulterior, apesar de meus esforços sinceros e honestos.
Constato, assim, que o ser grosseiro na correspondência é aparentemente um “mal de família”. Não posso fazer nada contra isso, apenas recomendar que os Srs., tio e sobrinho, procurem educar melhor seus filhos e sobrinhos, do contrário eles poderão ter dificuldades de relacionamento na futura vida profissional e pessoal.

5. “…você se colocou como um gay procurando garotões na Internet.”

PRA: Realmente, não consigo deduzir como o Sr. pode chegar a essa conclusão no mínimo estapafúrdia. Cheguei ao Sr. Danilo Enrico Martuscelli porque seu nome e endereço eletrônico haviam sido citados por professores da UNESP como estando na origem da disseminação das mensagens alarmistas acima referidas. Creio ter agido de forma correta e segundo as regras mais elementares da cortesia, como uma simples consulta a esse Dossier 3 poderá confirmar.
Deixo a seu critério quaisquer insinuações de natureza sexual, que me parecem provir de uma mente obnubilada por esse tipo de problema, que nunca esteve em causa na questão da Amazônia ou na correspondência que mantive a respeito, como qualquer pessoa isenta poderá verificar. Se eu ousasse fazer ilações como o Sr. as faz, indevidamente, talvez deveria empregar o conhecido refrão: “Freud explica…”.

6. “Mas, saiba: O Brasil está mudando e vamos pegar vocês... Tenha certeza disto.”

PRA: Devo interpretar as três frases acima como uma ameaça de natureza pessoal à minha segurança física?
Não tenho certeza de quem seriam “vocês”. Atuei em total independência de quem quer que seja, meu website é mantido por mim mesmo, com base em meu esforço pessoal e material de minha própria produção ou coletado por mim na Internet e não sei, portanto, a quem o “coletivo” se dirigiria. Esteja certo de que sou o único responsável por meus atos, palavras e escritos.
Por certo que o Brasil está mudando, e para melhor. Consolidou-se recentemente inédita transição democrática com todas as garantias constitucionais da liberdade de expressão e da manifestação de pensamento, com resultados auspiciosos do ponto de vista das políticas sociais e da promoção da dignidade da cidadania. Pela primeira vez na história do país assumiu o poder um governo comprometido com a causa das mudanças sociais, da transformação das estruturas econômicas e políticas, com o resgate da dignidade do povo brasileiro.
O que eu consigo, entretanto, deduzir de suas palavras é que o Sr. dirige a um desconhecido seu ameaças de natureza pessoal que nos remetem a tristes capítulos ultrapassados de nossa história, aos piores tempos da ditadura, quando telefonemas anônimos (naqueles tempos não tinhamos Internet) nos faziam ameaças veladas quanto a determinadas atividades desenvolvidas em favor de tal ou qual causa, como cheguei a receber na fase de luta pela redemocratização do Brasil.
Lamento constatar que esses tempos sombrios não parecem ter sido superados totalmente, pois ainda hoje é possível receber ameaças veladas de pessoas não identificadas.
Frente a esse tipo de ameaça, meu único recurso é o do apelo aberto às autoridades judiciais: uma investigação preventiva (em endereço profissional da cidade de São Paulo) que possa confirmar ou negar as ameaças proferidas contra mim, após o que determinarei o caminho a seguir.

7. “Tenha piedade de suas mediocres obras, elas correspondem com seu ser ridículo.”

PRA: Não entendi o “tenha”: “Tenha” quem?; o Sr. mesmo, eu, ou quem mais? Deve tratar-se de mais um erro de Português.
Mas, entendo que se trata de sua própria expressão a respeito de minhas obras: agradeço a comiseração, mas não creio que a piedade de alguém poderá ter qualquer influência sobre a maior ou menor qualidade intrínseca de minhas obras, grande parte delas disponíveis livremente em minha página pessoal, abertas, portanto, à curiosidade das pessoas ou à indiferença da maior parte (que em outros tempos alguns chamariam de “crítica roedora dos ratos”, sem nenhuma ausão pessoal neste particular).
Respeito sua opinião sobre a mediocridade de minhas obras, ainda que ela não venha corroborada por nenhuma análise formal, estilística ou de conteúdo, mas sinceramente não consegui entender como o Sr. conseguiu deduzir que essa “mediocridade” está vinculada ao “ridículo” do meu ser. Minhas obras raramente adquirem tonalidades pessoais ou subjetivas, tratando mais frequentemente de questões objetivas de política econômica, de relações internacionais ou de política externa do Brasil, onde minha própria pessoa não encontra nenhum resguardo. Ridículo ou não, não acredito que meu “ser” se revele com tanta transparência em meus livros e trabalhos.
Acredito a propósito que o Sr. deva ostentar poderes paranormais para conseguir fazer esse tipo de ilação. Verdade ou não, apreciaria receber suas críticas objetivas sobre esses trabalhos, cujo único objetivo é o de atender a necessidades didáticas, além de alimentar o debate democrático sobre alternativas de políticas públicas para o Brasil.

8. “E saiba o Danilo Enrico Martuscelli é o melhor sociólogo pra responder pra esta expúria de cidadãos...”

PRA: Eu gostaria de compreender em primeiro lugar o sentido exato que o Sr. atribui a “expúria”, palavra que não existe em Português, mas figura no Aurélio grafada como “espúria”, com o sentido de “não genuíno, suposto, hipotético”, mas trata-se de adjetivo e não coletivo de qualquer coisa. Entendo que o Sr. tenha querido referir-se, originalmente, a alguma “malta de cidadãos”, ou algo de gênero.
Devo adverti-lo, uma vez mais, que atuei completamente sozinho, não sabendo portanto interpretar, mais uma vez, a que grupo de pessoas o Sr. se refere.
Quanto às qualidades de sociólogo do Sr. Danilo Enrico Martuscelli, confesso que estou pouco habilitado a apreciá-las, uma vez que tenho encontrado muito poucas referências públicas a seu trabalho acadêmico. De fato, correspondi-me com o seu orientador (na mesma ocasião de minha pesquisa sobre as fraudes amazônicas), Prof. Armando Boito, da Unicamp, que confirmou-eme essas supostas qualidades, mas tendo sido tratado com igual rudeza e hostilidade, não me foi possível aprofundar a questão, uma vez que qualquer diálogo racional afigurou-se impossível.
A bem da verdade, conheço um único trabalho do Sr, Danilo Martuscelli, mais exatamente um projeto de pesquisa, de fevereiro de 2000, “A posição do PT frente aos governos neoliberais” (não sei se concluído, sob a orientação do referido prof. Boito), no qual aprendi que “Com a ofensiva neoliberal nos anos 90, o posicionamento oficial do PT sofre algumas alterações…”, no sentido da “aceitação (pelo PT) de algumas reformas neoliberais como fatos consumados”. Aprendi, ainda, que estaria em curso um “rebaixamento do programa” do PT, pois que “A defesa de um socialismo democrático aparece, na ação prática (do PT), como uma tentativa de reformar o capitalismo brasileiro, sem que, em aspectos fundamentais, se rompa sequer com o modelo neoliberal.” ou que ele já não mais sustenta a “proposta de reestatização” das companhias estatais. Resumindo, “O PT foi, ao longo dos anos 90, fazendo sucessivas concessões às reformas e se encontra, hoje, defendendo uma política que concilia com o programa neoliberal.”
Meus cumprimentos ao autor, em todo caso, pois se trata de texto realmente instrutivo como premonição exata do que viria a ocorrer poucos anos depois. Se o trabalho estiver concluído apreciaria receber uma cópia, pois sempre tenho por hábito ler e comentar quaisquer trabalhos substantivos sobre temas de meu interesse.
Esclareço, a propósito, que estou publicando o livro “A Grande Mudança: conseqüências econômicas da transição política no Brasil” (SP: Códex, 2003), que toca nos mesmos problemas enfocados nesse projeto de pesquisa e veria com bons olhos qualquer diálogo a respeito, quando não uma crítica honesta e objetiva sobre as lacunas e insuficiências de minha própria análise sobre a mesma problemática abordada por seu sobrinho no referido projeto de pesquisa.

9) “Se quizer brigar comigo, briga de verdade, não se esconda debaixo das saias do USAs…”

PRA: Infelizmente, uma terceira e última correção de Português: “quiser” se escreve com “s”, não com “z”.
Tenha certeza de que não estou escondido em lugar algum, tanto é verdade que o Sr. me encontrou quando desejou fazê-lo. O mesmo, contudo, não posso dizer do Sr., cujo nome por inteiro desconheço, da mesma forma como a profissão, o endereço, os interesses pessoais e a especialização em luta pessoal, na medida em que me convida para o que suponho seja um duelo.
Do Sr. apenas sei que se trata de tio do Sr. Danilo Enrico Martuscelli e que se interessou também pelo meu “Dossiê Amazônia”, a ponto de ameaçar-me por causa do que nele coloquei.
Não creio, sinceramente, que um simples “dossier”, contendo nada mais do que mensagens eletrônicas reais e algumas outras forjadas (por autores ainda desconhecidos), valha a pena e os riscos de um duelo. Seria uma perda de energia e uma reação totalmente despropositada em relação à relativa desimportância desse Dossier. Amazônia.
Em todo caso, não pretendo decepcioná-lo, e como é o Sr. que me convida para um duelo, creio que me deixará, como cavalheiro que acredito que é, a primazia de estipular minha preferência pelas armas.
Pois bem, faço aqui minha escolha e peço apenas que marque data, hora e lugar para que eu possa comparecer, acompanhado de duas testemunhas.
Minha preferência seria por arremesso de granadas a dez passos, que foi o resultado de minha experiência militar e são as armas com as quais estou mais familiarizado.
Aguardarei que o Sr. fixe horário e local e terei o prazer de fornecer-lhe duas granadas, devidamente testadas e funcionando.

 

(c) Terceira opção: incorporar sua mensagem como mais uma peça ilustrativa desse heteróclito dossier, repleto de mensagens bizarras como a sua.

PRA: Tenho o prazer de informá-lo de que decidi inserir sua mensagem, com minha resposta acima transcrita, em meu “Dossier 4” sobre a Amazônia, e espero sinceramente que eu possa, em algum momento próximo, fechar e concluir esse estranho dossier, que constituiu um dos trabalhos mais “inúteis” (em termos de reflexão intelectual e contribuição ao avanço do conhecimento científico sobre o Brasil) que já realizei em toda a minha vida.


Com os meus cumprimentos (embora certamente unilaterais),
Paulo Roberto de Almeida (pralmeida@mac.com; www.pralmeida.org)


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(Nova transcrição de mensagem recebida em 9 de Fevereiro de 2002):


From: "Eduardo" <eduardo@wisedesign.com.br>
Organization: Wise Design
Date: Sun, 9 Feb 2003 15:03:54 -0300
To: <pralmeida@mac.com>
Subject: Verdade
Você fez um Dossiê da Amazonia. Eu tenho nojo de você, é tão podre quanto sua pobre vida. Quando você sitou meu sobrinho Danilo Enrico, você se colocou como um gay procurando garotões na Internet. Mas, saiba: O Brasil está mudando e vamos pegar vocês... Tenha certeza disto. Tenha piedade de suas mediocres obras, elas correspondem com seu ser ridículo. E saiba o Danilo Enrico Martuscelli é o melhor sociólogo pra responder pra esta expúria de cidadãos... Se quizer brigar comigo, briga de verdade, não se esconda debaixo das saias do USAs..

 

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