Dossier Amazônia, Ciência Hoje Eletrônica

Cadernos Especiais: http://www.uol.com.br/cienciahoje/especial.htm

 

A Amazônia em debate (Abril 2001)

http://www.uol.com.br/cienciahoje/especial/amazonia/amaindex.htm

 

Dossier montado por:

Paulo Roberto de Almeida

(pralmeida@mac.com  www.pralmeida.org)

 

(Se voce preferir, pode efetuar o download deste dossier em formato .doc, neste link)

 

Sumário:

Páginas

Indice detalhado do Dossier Amazônia                                                                       2

Uma floresta gigantesca                                                                                               3

Os segredos da biodiversidade                                                                                     5

Tesouro químico                                                                                                          7

O papel das águas                                                                                                        9

Ocupação humana: uma mistura explosiva                                                                11

Os caminhos da devastação                                                                                       13

É possível o desenvolvimento sustentável?                                                              15

Uma exploração racional da floresta                                                                          17

Piratas da natureza                                                                                                    19

Como administrar o sumidouro de carbono?                                                             21

 

Leia também sobre a Amazônia: Reportagens da seção Ciência em Dia:

http://www.uol.com.br/cienciahoje/chdia.htm

Um alerta para a Amazônia                                                                                       23

Uso da terra determina emissão de CO2 na Amazônia                                             25

Seqüestro de carbono pela floresta amazônica                                                          27

O impasse de Haia                                                                                                     29

Amazônia absorve excesso de CO2 da atmosfera                                                     30

Aquecimento global: causas e conseqüências                                                             31

 

Matérias sobre os cientistas Aziz Ab Saber e Paulo Vanzolini

(ver na parte final do dossier, a partir da p. 32)

Teoria dos refúgios e redutos                                                                                    32

História de uma teoria                                                                                               34

Samba de um zoólogo paulistano                                                                              35

Amor à primeira vista                                                                                                37

O cientista compositor                                                                                              39

Paulo Vanzolini                                                                                                         41

 

Perfis de Ciência Hoje (notas sobre cientistas e pesquisadores):                              42

 


Indice detalhado do Dossier Amazônia de Ciência Hoje:

 

A Amazônia em debate

http://www.uol.com.br/cienciahoje/especial/amazonia/amaindex.htm

 

Uma floresta gigantesca

Papel da Amazônia no Brasil e no mundo é discutido em reunião especial da SBPC

Os segredos da biodiversidade

Não se sabe ao certo por que a Amazônia abriga cerca de 50% das espécies da Terra

Tesouro químico

Compostos encontrados na Amazônia dão origem a remédios, tintas e outros produtos

O papel das águas

Riqueza hídrica exerce função fundamental para o ecossistema amazônico

Uma mistura explosiva

Ocupação humana na Amazônia é marcada por culturas e interesses divergentes

Os caminhos da devastação

Derrubada de árvores, fogo e construção de rodovias ameaçam Amazônia

É possível o desenvolvimento sustentável?

Promover avanço sócio-econômico sem comprometer ecossistemas é um desafio

Uma exploração racional da floresta

Livro defende modelos de manejo sustentável como opção à extração predatória

Piratas da natureza

Substâncias extraídas de plantas e animais amazônicos são patenteadas no exterior

Como administrar o sumidouro de carbono?

Capitalização do excedente de CO2 absorvido pela Amazônia gera polêmica

 

Leia também sobre a Amazônia:

(reportagens da seção Ciência em Dia)

 

 


 

Uma floresta gigantesca

http://www.uol.com.br/cienciahoje/especial/amazonia/amazon1.htm

 

Uma floresta gigantesca

Papel da Amazônia no Brasil e no mundo é discutido em reunião especial da SBPC

 

(foto da floresta amazônica)

O território total da Amazônia equivale a três quintos do Brasil,

país que abriga 69% de toda a floresta

 

De 25 a 27 de abril, cientistas de todo o Brasil estarão reunidos em Manaus (AM) para discutir um dos maiores tesouros do país: a floresta amazônica. A 7a reunião especial da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) tratará do tema 'A Amazônia no Brasil e no mundo' e abordará questões como cultura indígena, desenvolvimento regional, desmatamento, biodiversidade, águas, doenças na floresta ou avanços da pesquisa científica na região.

 

A Amazônia, maior floresta do mundo, se espalha por seis países da América Latina e representa a vigésima parte de toda a superfície continental da Terra. Ali, concentra-se a maior biodiversidade do planeta. Seu principal rio, o Amazonas, lança no Oceano Atlântico de 15 a 20% de toda a água despejada por rios em mares em todo o mundo.

 

O aproveitamento da Amazônia é foco de polêmica entre pesquisadores, ecologistas e representantes do poder público quando se discute o desenvolvimento do Brasil. O grande desafio é conseguir equilibrar a exploração de recursos, o avanço econômico da região e a conservação de suas riquezas naturais - o chamado desenvolvimento sustentável. No entanto, enquanto se debate o que fazer, a floresta continua a ser devastada. "Nos últimos 25 anos, já foi derrubada uma área equivalente a mais de duas vezes o estado de São Paulo", diz Aziz Ab'Sáber, geógrafo da Universidade de São Paulo (USP) e autor do livro Amazônia - do discurso à praxis.

 

A floresta já foi vista como uma fronteira agrícola a ser explorada, até que se descobriu que boa parte do seu solo é pobre. Hoje, as propostas para sua exploração vão do corte seletivo de árvores à negociação de sua atuação como sumidouro de gás carbônico. No entanto, todas essas propostas geram controvérsias. "No corte seletivo, por exemplo, derrubam-se árvores de até 600 anos e, em troca, planta-se uma mudinha", critica Ab'Sáber.

 

Já o uso do gás carbônico absorvido pelas árvores na fotossíntese como moeda de troca em negociações internacionais esbarra na delicada questão da soberania nacional - e traz à tona o fantasma da internacionalização da Amazônia. "A partir da convenção da biodiversidade, assinada no Rio em 1992, essa possibilidade deixou de existir", explica Ângelo Machado, zoólogo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Fundação Biodiversitas. Até então, a biodiversidade era considerada patrimônio mundial. A convenção, no entanto, estabeleceu que ela pertence ao país em que se encontra.

 

A Amazônia é o tema central de mais um Especial CH on-line. Nos próximos dias, você poderá ler aqui textos que abordarão alguns dos principais debates que envolvem a floresta: biodiversidade, riqueza química, recursos hídricos, ocupação humana, devastação e reflorestamento, desenvolvimento sustentável, papel da Amazônia nas mudanças do clima global e biopirataria.

 

Renata Ramalho

Ciência Hoje/RJ

abril/2001

 

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Os segredos da biodiversidade

http://www.uol.com.br/cienciahoje/especial/amazonia/amazon2.htm

 

(foto de espécies animais da Amazônia)

Não se sabe ao certo por que a Amazônia abriga cerca de 50% das espécies da Terra

Em sentido horário: jacaré-açu, macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta, pirarucu e peixe-boi

 

"O Brasil é o país mais rico em biodiversidade do mundo." A declaração do biofísico Antônio Paz de Carvalho, diretor-geral da Extracta Moléculas Naturais, ilustra a riqueza de espécies de um país que abriga duas florestas de grande diversidade biológica: a Mata Atlântica e a floresta amazônica. No entanto, embora a Mata Atlântica concentre uma maior percentagem de espécies endêmicas e tenha biodiversidade proporcionalmente maior que a da Amazônia, é nesta última que se encontram cerca 50% de todas as espécies do planeta, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

 

Os motivos que levaram à biodiversidade amazônica são um dos principais temas de pesquisa dos cientistas. "A teoria dos refúgios certamente é um deles", diz Ângelo Machado, zoólogo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Fundação Biodiversitas. Hoje, os diferentes tipos de ambientes existentes na Amazônia (como várzeas, igapós e campinaranas, entre outros) contribuem para essa biodiversidade. "Existem na floresta ilhas de cerrado com uma diversidade completamente diferente", exemplifica Aziz Ab'Sáber, geógrafo da Universidade de São Paulo (USP) e um dos autores da teoria dos refúgios. No entanto, não se conhecem ainda todos os fatores responsáveis pela biodiversidade, como reconhece o biólogo Adalberto Val, do Inpa.

 

Os números impressionam: são cerca de 50 mil espécies de plantas, sendo 5000 de árvores (na América do Norte, são 650); 3000 espécies de peixes (segundo Val, esse número pode chegar a 5000); 353 de mamíferos, das quais 62 de primatas. "Estima-se que a Amazônia tenha 10 milhões de insetos diferentes", diz Ângelo Machado.

 

(foto da floresta amazônica)

Há aproximadamente 50 mil espécies vegetais na Amazônia

 

No entanto, menos de 10% dessa biodiversidade é conhecida. "Recentemente, foi encontrada uma nova espécie de macaco", conta Adalberto Val. "Se descobriram um macaco, que é um bicho grande e fácil de ser visto, imagine o número de insetos e organismos microscópicos que ainda desconhecemos." E muito dessa riqueza biológica desaparecerá antes que se possa conhecê-la.

 

A extinção de uma espécie afeta toda a rede em que ela se insere. Insetos, aves e outros animais são responsáveis por funções que garantem a manutenção do equilíbrio ecológico, como a polinização e o transporte de sementes. Quando uma espécie desaparece subitamente, pode não haver um substituto para suas funções.

 

Fazer uma lista das espécies ameaçadas de extinção na Amazônia é uma tarefa mais difícil do que se pode imaginar. Como em torno de 80% da floresta permanece virgem, não é seguro fazer estimativas apenas a partir das áreas onde geralmente se realizam pesquisas. "O peixe pirarucu estava sendo dado como em extinção, mas foi encontrado em abundância em regiões menos exploradas da floresta", ilustra Val.

 

Leia mais sobre a teoria dos refúgios

nos perfis de Aziz Ab'Sáber e Paulo Vanzolini

(ver ao final do dossier)

 

Renata Ramalho

Ciência Hoje/RJ

abril/2001

 

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Tesouro químico

http://www.uol.com.br/cienciahoje/especial/amazonia/amazon4.htm

 

Tesouro químico da Amazônia

Compostos encontrados na floresta dão origem a remédios, tintas e outros produtos

 

(foto de cipó)

O cipó caapi (Banisteriopsis caapi) ocorre essencialmente na região

amazônica e é rico em substâncias alcalóides, sobretudo a harmina

 

Quando se aborda a diversidade da Amazônia, tende-se a privilegiar a variedade de espécies de plantas e animais que ali ocorrem, em detrimento de inúmeras outras riquezas - como a química. A variedade de compostos químicos presentes na floresta amazônica já era utilizada pelos índios para curar doenças desde antes do descobrimento da América, e tem sido cada vez mais valorizada. "A Amazônia tem uma importância química tremenda para o mundo todo", afirmam os cientistas Maria da Paz Lima e Adrian Martin Pohlit, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

 

"É nas plantas que se concentra a maior variedade de produtos químicos na Amazônia", afirma o biofísico Antônio Paz de Carvalho, diretor da Extracta Produtos Naturais. Mas diversos compostos são também sintetizados em outros organismos vivos (animais, fungos e bactérias), e podem ainda ser encontrados no petróleo, nas águas ou em depósitos de minérios. Essa variedade química é matéria-prima para produtos consumidos em diversos setores, como a agricultura e a indústria farmacêutica e de cosméticos. "Os produtos naturais importantes industrialmente são as resinas, venenos, ceras, borrachas, tintas, colas e gomas", dizem os químicos Maria da Paz Lima e Adrian Pohlit.

 

O tesouro químico amazônico engloba substâncias com propriedades repelentes, antitumorais e antimaláricas, entre outras. Da floresta, já foram extraídos compostos como a quinina (principal remédio de combate à malária), a estricnina (raticida) e a genipina (usada para a tintura de pele e cabelos). Venenos diversos também foram retirados de animais, e óleos essenciais extraídos de plantas da região são hoje muito usados na perfumaria.

 

A composição e as propriedades desses produtos naturais são determinadas pelas características do meio em que ocorrem (a Amazônia), como o tipo de solo ou a exposição à luz. Esses compostos podem ser usados diretamente como matéria-prima para a indústria, ou sua estrutura pode servir como modelo para a síntese de moléculas artificiais.

 

(foto de sapo amazônico)

Pode-se descobrir que animais como o sapo Osteocephalus

taurinus sintetizam compostos úteis para fins medicinais

 

No entanto, segundo o químico Otto Gottlieb, uma referência no estudo de produtos naturais, ainda se conhece menos que 1% de toda essa riqueza. É possível, por exemplo, que haja na Amazônia compostos com atividades terapêuticas contra diversas doenças. Há muitas razões para que se conheça tão pouco dessa diversidade. Segundo Lima e Pohlit, cada extrato vegetal pode conter centenas componentes e substâncias orgânicas diferentes. "Não há gente suficiente para trabalhar na região", acrescenta Adalberto Val, biólogo do Inpa.

 

Essas e outras dificuldades podem fazer com que muitos compostos desapareçam antes mesmo que sejam descobertos. Uma forma de se evitar isso seria a criação de meios para conservar produtos naturais em condições adequadas para pesquisa futura.

 

Leia também o perfil de Otto Gottlieb

(ver ao final do dossier)

 

Renata Ramalho

Ciência Hoje/RJ

abril/2001

 

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O papel das águas

http://www.uol.com.br/cienciahoje/especial/amazonia/amazon5.htm

 

O papel das águas na Amazônia

Riqueza hídrica exerce função fundamental para o ecossistema da floresta

 

(foto do igarapé)

O igarapé Tarumã-Mirim é um afluente do rio Negro

 

Entre seus muitos nomes, a floresta amazônica é conhecida em inglês como rain forest (floresta pluvial): a bacia amazônica recebe por ano 15 trilhões de m3 de chuva, responsável pelo grande volume de água de seus inúmeros rios. Um segundo de fluxo do rio Amazonas poderia abastecer por um dia uma cidade de 2 mil habitantes. Essa riqueza hídrica exerce papel fundamental para a floresta. "As águas são a base do ecossistema amazônico", afirma Sérgio Bringeo, químico do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

 

Há na Bacia Amazônica três tipos de águas cujas características variam de acordo com o ambiente que elas percorrem. A idade geológica da foz de cada rio é fundamental para que suas águas se encaixem em uma das colorações encontradas na floresta: as originárias de formações mais recentes são 'brancas'; as que vêm de formações mais antigas podem ser 'pretas' ou claras (verde-azuladas).

 

As águas brancas, como as do rio Solimões - um dos principais afluentes do Amazonas -, têm origem andina. Elas são básicas ou neutras, abundantes em nutrientes e carregam sedimentos ricos em sais minerais (como cálcio, magnésio ou potássio). Os solos banhados por elas (as várzeas) são ricos, e elas concentram grande biodiversidade. A fertilidade dessas águas favorece o desenvolvimento de larvas.

 

As águas pretas, caso do rio Negro, apresentam baixa carga de sedimentos. "Há uma grande concentração de carbono e ácidos orgânicos", explica o geoquímico Patrick Seyler, do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD, na sigla em francês). Segundo Bringeo, essas águas têm a grande vantagem de serem pouco propensas ao desenvolvimento de larvas e insetos hematófagos. "Elas são ácidas." Já nos rios de águas claras, como o Tapajós, não há substâncias predominantes, e as águas são em geral menos ácidas que as negras.

 

(foto aérea dos dois rios)

Imagem de satélite do encontro das águas escuras do rio Negro

com as brancas do Solimões, para formar o Amazonas

 

O rio Amazonas - o mais importante da região - é composto por todos esses tipos de água. "As águas brancas predominam (por terem mais materiais em suspensão), seguidas das pretas e claras", diz Seyler. "Sem o Amazonas, a floresta simplesmente não existiria."

 

Os rios da Amazônia são classificados em três tipos: igarapés, riozinhos (50 a 60 metros de largura) e grandes rios. "Os igarapés são usados como caminhos de canoa", explica Aziz Ab'Sáber, geógrafo da Universidade de São Paulo (USP). "O riozinho é muito percorrido pelos que querem explorar a beira do rio." Esses rios obedecem a ciclos de inundação responsáveis por algumas de suas características e por muito das riquezas do solo. De maio a julho é a época de cheia, e de novembro a janeiro, a de seca. Esses ciclos, no entanto, não são completamente estáveis. Algumas regiões permanecem inundadas (exceto em anos de seca intensa), outras são inundadas anualmente e, as de terra firme, apenas quando a cheia é excessiva.

 

Cristina Souto e

Renata Ramalho

Ciência Hoje/RJ

abril/2001

 

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Ocupação humana: uma mistura explosiva

http://www.uol.com.br/cienciahoje/especial/amazonia/amazon6.htm

 

Uma mistura explosiva

Ocupação humana na Amazônia é marcada por culturas e interesses divergentes

(foto de aeroporto de terra, com índio em primeiro plano)

Pista de pouso Paapiú, tomada por garimpeiros em território Yanomami

 

Índios, beiradeiros, seringueiros, latifundiários, capatazes, garimpeiros, pistoleiros profissionais, castanheiros, madeireiros, soldados, cientistas. A diversidade da Amazônia também está nos homens que ali residem - uma população de 17 milhões de pessoas, cerca de 3,4 habitantes por km2, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Essa mistura de culturas e interesses torna-se explosiva em muitos momentos e é motivo de conflitos na região.

 

A Amazônia já conheceu diversos ciclos de prosperidade e miséria. Os habitantes mais antigos da floresta - e os mais integrados a ela - são os índios, cuja presença remonta a pelo menos 8 mil anos. Com a chegada dos europeus, que trouxeram doenças até então desconhecidas dos nativos e os submeteram a trabalhos forçados, a região sofreu grave queda demográfica. A população predominante passou a ser a cabocla, uma mistura de índio com europeu e africano.

 

O ciclo da borracha, no século 19, trouxe grande imigração nordestina. "Havia muito dinheiro", conta Luiz Antônio de Oliveira, engenheiro agrônomo do Inpa. Já os governos militares tentaram estabelecer novas fronteiras agrícolas, o que atraiu as populações do semi-árido. Rodovias foram construídas e o desmatamento era considerado uma benfeitoria, como relata Aziz Ab'Sáber, geógrafo da Universidade de São Paulo (USP). Houve ainda o ciclo da zona franca de Manaus que, com a isenção de alguns impostos, atraiu grande contingente populacional para suas fábricas. "Ela é responsável por 85% da arrecadação de ICMS de Manaus", diz Oliveira. "É um modelo imperfeito, mas seu fim, previsto para 2013, acarretará um grave problema na região."

 

 

A vida na Amazônia é hoje repleta de dificuldades e contradições. As populações vindas do sul do país sofrem com a malária e outras doenças para as quais não têm resistência. Os povos tradicionais entram em conflito com capatazes sem preparo e enfrentam a poluição das águas de igarapés e riozinhos pelos garimpos. "Esses rios são usados pela população para se banhar, pescar e cozinhar", explica Ab'Sáber.

 

Os indígenas também sofrem bastante com a invasão de suas reservas. "Querem fragmentar as dos Yanomami para procurar minérios", denuncia Ab'Sáber. O cálculo da área das reservas é foco de conflito. Segundo o geógrafo, alguns defendem que a área seja proporcional a quanto cada brasileiro teria direito - um contra-senso, já que a população urbana não precisa de área rural para sobreviver e a cultura indígena é diretamente dependente da terra. Embora ainda existam tribos que nunca tiveram contato direto com o homem branco, sua forma de vida foi completamente afetada pelos desmandos dos 'paulistas' - como a população tradicional amazônica se refere pejorativamente a todos os sulistas que exploram a floresta de forma predatória.

 

Renata Ramalho

Ciência Hoje/RJ

abril/2001

 

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Os caminhos da devastação

http://www.uol.com.br/cienciahoje/especial/amazonia/amazon7.htm

 

 

Os caminhos da devastação

Derrubada de árvores, fogo e construção de rodovias ameaçam Amazônia

 

(foto de pista de terra na região amazônica)

A abertura de estradas corta áreas de floresta e leva

à ocupação de novas regiões e ao desmatamento

 

Derrubada de árvores, fogo e construção de rodovias ameaçam o patrimônio natural da Amazônia. Estima-se que cerca de 12,5% de sua área original tenham sido devastados. Os dados, porém, não são precisos: a devastação é medida a partir de imagens de satélite de baixa resolução, que só acusam áreas onde houve corte total de árvores e não detectam o desmatamento seletivo ou a substituição da mata original por monoculturas. A destruição da floresta é a principal preocupação dos cientistas, que hoje buscam soluções para minimizar o estrago.

 

Por trás de toda a devastação da Amazônia, está a derrubada de árvores, necessária para qualquer empreendimento - como a construção de cidades ou a atividade agropecuária, além das madeireiras que exploram árvores nobres. O desmatamento afeta diretamente o funcionamento do ecossistema da mata e o clima local e global. Além disso, "o desequilíbrio ecológico expõe o homem a doenças como a leishmaniose", segundo aponta o engenheiro agrônomo Luiz Antônio de Oliveira, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

 

A construção de rodovias prejudica a floresta direta e indiretamente. Além do desmatamento inicial, ela facilita a ocupação humana desordenada e a derrubada indiscriminada de árvores. Nas margens das estradas, abrem-se ramificações rumo ao interior da mata. "Elas são como espinhelas de peixe", diz Aziz Ab'Sáber, geógrafo da Universidade de São Paulo (USP). "Nas rodovias, é comum encontrar caminhões encostados na beira da mata com toras de árvores de 200 anos."

 

 

O fogo é uma das principais conseqüências de intervenções predatórias na floresta. A derrubada de árvores gera material combustível e abre clareiras que facilitam a dispersão do fogo. Sempre houve queimadas na Amazônia, como atesta a camada de carvão encontrada em seu subsolo. Porém, a fragilização da mata devido a queimadas provocadas pelo homem e o desmatamento crescente aumentaram a freqüência do fogo acidental, o que cria um ciclo vicioso. "Em períodos de seca, qualquer raio gera fogo na Amazônia", diz o biofísico Antônio Paz de Carvalho, diretor-geral da Extracta Moléculas Naturais.

 

As queimadas atingem milhares de hectares na Amazônia todos os anos. Durante os incêndios, o fogo se alastra lentamente pela cobertura vegetal. Os danos nem sempre são visíveis nas cascas das árvores, mas o calor em seu interior pode levá-las à morte - como se estivessem 'cozinhando em fogo brando'.

 

Durante algum tempo, a exploração desmedida foi considerada legal e mesmo incentivada pelo governo. Era permitido, por exemplo, derrubar a mata e 'reflorestar' com eucaliptos. "Essas árvores reduzem muito a biodiversidade, é como se fosse uma roça", explica Ângelo Machado, zoólogo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Hoje, há tentativas de recuperar a área devastada e a biodiversidade, como o projeto de corredores ecológicos para ligar reservas isoladas e permitir a circulação de animais. No entanto, o solo empobrecido pela devastação dificulta o restabelecimento da mata.

 

Cristina Souto

Renata Ramalho

Ciência Hoje/RJ

abril/2001

 

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É possível o desenvolvimento sustentável?

http://www.uol.com.br/cienciahoje/especial/amazonia/amazon8.htm

 

 

É possível o desenvolvimento sustentável?

Promover avanço sócio-econômico sem comprometer ecossistemas é um desafio

 

(foto da barragem de Balbina)

Evitar que a construção de hidrelétricas como a de Balbina (AM) tenha grande

impacto ambiental é o grande desafio do desenvolvimento sustentável

 

Como explorar as riquezas da Amazônia e promover seu avanço sócio-econômico sem comprometer o ecossistema local e global? Nesse debate, que mobiliza há décadas governos e cientistas, as soluções apontadas sempre aparecem associadas ao conceito de desenvolvimento sustentável. Mas o que isso quer dizer? O economista Cláudio Ferraz, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), define a expressão como "um desenvolvimento que não comprometa as gerações futuras". No entanto, sua implantação efetiva não é simples.

 

O governo brasileiro tem posto em prática o projeto Avança Brasil, que prevê na Amazônia a pavimentação de rodovias e a construção de hidrelétricas, termelétricas ou gasodutos, aliadas à adoção de medidas para preservar a biodiversidade e garantir o manejo sustentável de recursos florestais. Segundo Nelson Siffert, subchefe da Secretaria de Desenvolvimento Regional do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o ideal seria atingir um equilíbrio entre desenvolvimento e preservação do meio ambiente. "A floresta não deve ser uma barreira para o desenvolvimento", afirma. "Não devemos imaginar uma Amazônia intocável."

 

Siffert cita, por exemplo, o plano de consolidação de produção familiar no Baixo Xingu e na Transamazônica, que pretende reorganizar 4 mil famílias às margens da rodovia. Se a idéia funcionar, impedirá que a população avance sobre a mata virgem e, ao mesmo tempo, levará a uma situação agroflorestal sustentável na região. O projeto prevê também a criação de escolas rurais, em que pequenos agricultores aprenderão a lidar com o manejo florestal.

 

No entanto, o Avança Brasil é visto com muitas ressalvas no meio científico. Estudos recentes tentaram prever o impacto sobre a Amazônia da implantação das obras previstas no projeto do governo. As estimativas mais pessimistas sustentam que a devastação poderia reduzir a porção de mata virgem a cerca de 5% até o ano 2020.

 

 

O cálculo da devastação que as obras do Avança Brasil podem gerar foi feito a

partir dos estragos causados pela abertura de estradas como a Transamazônica

 

"O Avança Brasil traz problemas sérios de aceleração da destruição da floresta", afirma o geógrafo Aziz Ab'Sáber, da Universidade de São Paulo (USP). Como alternativa, ele concebeu um projeto em que a Amazônia seria dividida em 23 células espaciais com planos de desenvolvimento diferenciados. "Cada célula contaria com uma cidade central que serviria como base para saúde pública e educação rural", explica.

 

Não se conhece, contudo, uma fórmula que conjugue de forma eficaz rentabilidade e preservação ecológica, como avalia Cláudio Ferraz. "A princípio, qualquer tipo de construção causa desmatamento", diz. Ele aponta, porém, mecanismos de preservação da biodiversidade que poderiam gerar lucros, como ecoturismo, venda de serviços ambientais (empresas poluentes poderiam compensar emissões de gás carbônico com investimentos em preservação) ou extração de substâncias para produção de fármacos.

 

Leia também sobre o mesmo tema:

"Uma exploração racional da floresta"

 

 

Andressa Camargo

Renata Ramalho

Ciência Hoje/RJ

maio/2001

 

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Uma exploração racional da floresta

http://www.uol.com.br/cienciahoje/especial/amazonia/amazon3.htm

 

 

Uma exploração racional da Amazônia

Livro defende modelos de manejo sustentável como opção à extração predatória

 

(foto da floresta amazônica)

550 mil km2 foram devastados na Amazônia ao longo do século 20

 

Em cinco séculos de exploração predatória, a Mata Atlântica teve a área que ocupava reduzida a cerca de 5% do território original. Hoje, teme-se que a Amazônia, principal responsável pela primeira posição do Brasil no ranking de biodiversidade da ONG Conservation International, sofra uma devastação do mesmo porte. Embora 87% da floresta ainda estejam de pé, a taxa de desmatamento nos anos 1990 foi de 20 mil quilômetros quadrados por ano.

 

Às diversas iniciativas de conservação inspiradas por esse temor, vem se juntar o livro A floresta amazônica, a ser lançado durante a Reunião Especial da SBPC sobre a Amazônia. O autor, o jornalista Marcelo Leite, editor de ciência da Folha de S.Paulo, explica na introdução que "o objetivo central do livro é desfazer a imagem de que a floresta tenha estado ou vá estar aí para sempre". Ao longo da obra, Leite defende modelos de exploração racional da floresta amazônica.

 

O manejo florestal sustentável, em oposição à exploração predatória da madeira, é um exemplo de como se pode aproveitar economicamente de forma racional os recursos da Amazônia. Leite cita estudos que apontam a vocação florestal da região (83% da Amazônia Legal são imprestáveis para o gado ou o cultivo) e que mostram que a extração sustentável de madeira é 35% mais rentável que a predatória. "Danificando menos a mata, sobretudo árvores mais jovens, e também preservando árvores adultas de menor qualidade para que continuem a reproduzir-se, o manejo florestal garante uma reposição mais rápida da madeira com valor comercial", explica Leite.

 

(foto de caminhão transportando toras de Madeira)

Segundo o livro, a instituição de madeiras certificadas poderia trazer

vantagens ambientais e econômicas para a atividade madeireira

 

O autor lista também uma série de outras medidas que garantiriam uma exploração da floresta conjugada à preservação da cobertura vegetal e ao aumento da renda da população local. Entre elas, encontram-se o desenvolvimento do ecoturismo, a intensificação da agricultura em áreas degradadas, a instituição de acordos locais e municipais para controle de queimadas ou a ampliação das unidades de preservação.

 

O equilíbrio ecológico da Amazônia é fundamental, por exemplo, para a regulação dos climas regional e global. Adotar as medidas expostas acima seria importante para manter esse equilíbrio e evitar os impactos ambientais e sociais que sua ruptura provocaria, como a erosão do solo, a incidência de doenças como a malária ou o risco de incêndios, entre outros.

 

A argumentação de Marcelo Leite é toda fundamentada em estudos científicos recentes (o item mais antigo da bibliografia data de 1991). Ele descreve algumas das mais importantes pesquisas feitas na Amazônia nos últimos anos. Esses estudos levam-no a concluir que repetir com a Amazônia o padrão de exploração praticado na Mata Atlântica seria, "mais que reincidir num crime contra a natureza e a civilização, (...) uma forma de irracionalidade econômica, que não cabe em conceito algum de modernidade".

 

A floresta amazônica

Marcelo Leite

Publifolha (coleção Folha Explica), 2000

99 páginas

 

Leia também sobre o mesmo tema:

"É possível o desenvolvimento sustentável?"

 

 

Bernardo Esteves

Ciência Hoje/RJ

abril/2001

 

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Piratas da natureza

http://www.uol.com.br/cienciahoje/especial/amazonia/amazon9.htm

 

 

Piratas da natureza

Substâncias extraídas de plantas e animais amazônicos são patenteadas no exterior

 

(foto da fruta do guaraná)

A Universidade de Cincinnati (Estados Unidos)

patenteou uma substância retirada do guaraná

 

O termo pirataria remete a um mundo em que homens com tapa-olho e espada na cintura viviam de roubos no mar - uma lembrança do passado que sobrevive em filmes e histórias infantis. No entanto, piratas ainda existem na vida real, embora não correspondam a essa imagem: eles trocaram o mar pela floresta, detêm grande conhecimento científico e, em vez de ouro, roubam plantas e animais para contrabandeá-los para o exterior. São os biopiratas.

 

O fenômeno não é novo. "O ciclo da borracha na Amazônia acabou porque os ingleses contrabandearam a semente da seringueira para a Malásia", lembra o biofísico Antônio Paz de Carvalho, presidente da Extracta Moléculas Naturais. O Brasil, porém, não foi apenas vítima dos biopiratas: o próspero ciclo econômico do café aconteceu graças a sementes trazidas ilegalmente da Guiana. O termo biopirataria, no entanto, surgiu recentemente para designar o contrabando da biodiversidade para grandes laboratórios internacionais.

 

A convenção internacional da biodiversidade estabelecida em 1992 determinou que ela pertence ao país em que se encontra. O acordo, porém, é contestado pelos Estados Unidos, e não impede a presença ilegal de pesquisadores estrangeiros na Amazônia, facilitada pela deficiência da legislação brasileira para regulamentar a coleta de material em expedições científicas. Em 2000, elaborou-se às pressas uma Medida Provisória (MP) para bloquear um contrato mal feito entre o governo brasileiro e uma multinacional. "A MP não diferencia interesse econômico de interesse científico e dificulta o intercâmbio com instituições no exterior", avalia o zoólogo Ângelo Machado, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Fundação Biodiversitas.

 

Esse intercâmbio, no entanto, é foco de controvérsias. "Não dá para assegurar que a troca terá apenas fins científicos", critica Paz de Carvalho. "O Brasil não tem cientistas o bastante para estudar a floresta sozinho", ressalta Ângelo. O engenheiro agrônomo Luiz Antônio de Oliveira, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) levanta outras questões: "Menos de 1% dos recursos para pesquisa estão na Região Norte. Não há incentivos para a formação de recursos humanos ali."

 

(foto de planta)

Um ingrediente ativo da planta Psychotria viridis, sorvido ritualisticamente por populações da Amazônia, foi patenteado por uma empresa norte-americana

 

Os químicos Maria da Paz Lima e Adrian Martin Pohlit, do Inpa, lembram que as populações tradicionais, responsáveis pela descoberta de muitas substâncias, não recebem nenhum retorno. Eles ressaltam a "obrigação moral de compartilhar os proventos de descobertas com os povos cujos conhecimentos e uso dessas plantas foi motivo da preparação do extrato". Uma lei da senadora Marina Silva (PT-AC) em trâmite no Congresso tenta atender a essas diferentes demandas. Ainda que seja aprovada, será difícil colocá-la efetivamente em prática. "Quem quiser contrabandear a biodiversidade amazônica só precisa comprá-la no mercado Ver-o-Peso, em Belém", diz Paz de Carvalho.

 

Renata Ramalho

Ciência Hoje/RJ

maio/2001

 

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Como administrar o sumidouro de carbono?

http://www.uol.com.br/cienciahoje/especial/amazonia/amazon10.htm

 

 

Como administrar o sumidouro de carbono?

Capitalização do excedente de CO2 absorvido pela Amazônia gera polêmica

 

(foto da floresta amazônica)

Pesquisas recentes indicam que a Amazônia absorve mais gás carbônico do que emite

 

Já se acreditou que a Amazônia fosse uma das principais fontes de oxigênio do planeta. As campanhas para sua preservação apresentavam-na como o 'pulmão do mundo'. Porém, descobriu-se que a floresta consome quase todo o oxigênio que produz, e sua biodiversidade tornou-se a principal bandeira dos ecologistas. No entanto, estudos recentes deram nova munição aos defensores da Amazônia: constatou-se que ela absorve mais gás carbônico que o estimado.

 

As pesquisas indicam que o balanço do CO2 absorvido na fotossíntese e o liberado pela respiração ou decomposição não é nulo, como acreditavam os cientistas. "Não se sabe ao certo a causa do fenômeno", afirma Carlos Nobre, meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). "Acredita-se que em uma atmosfera com maior concentração de gás carbônico, as plantas absorvam mais esse gás." O destino do excedente absorvido também é uma incógnita. Especula-se que ele possa levar as árvores a crescer mais, ou ser direcionado ao solo através das raízes.

 

No entanto, o balanço positivo do gás carbônico absorvido pela floresta é ameaçado pela emissão do gás nas queimadas. O Brasil é responsável por uma pequena parcela das emissões mundiais do composto, que contribui para o efeito estufa. Ao contrário do que ocorre em muitos países, a maioria das emissões nacionais não resulta da queima de combustíveis fósseis. "As queimadas emitem cerca de cinco vezes mais que os combustíveis, sem trazer benefícios para a população", afirma o ecólogo Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Além de contribuir para o efeito estufa, o fogo destrói o sumidouro de gás carbônico.

 

(foto aérea de queimada na Amazônia)

Queimadas são responsáveis pela maior parte das emissões brasileiras de CO2

 

O aumento da emissão de CO2 devido à queima da floresta, associado à inadequação da maior parte do solo amazônico à exploração pela agricultura ou por pastagens, faz com que desmatar seja economicamente desaconselhável. Preservar a Amazônia pode até render dividendos ao Brasil: é possível que o protocolo de Kyoto, que prevê que os países desenvolvidos reduzam a emissão de gás carbônico a índices inferiores aos de 1990, permita que esses países paguem aos que detêm florestas para não desmatá-las.

 

"Se isso acontecer", diz Fearnside, "o retorno econômico estimado do carbono conservado na terra florestada será maior que qualquer investimento feito nela." Projetos para evitar o desmatamento poderiam ser pagos pelos países poluidores. "Resta saber como comprovar que um projeto conservou certa quantidade de gás carbônico."

 

A solução, porém, encontra resistência dentro e fora do Brasil. Algumas organizações ecológicas discordam desse comércio, pois alegam que não solucionaria o problema da emissão de CO2 pelos países desenvolvidos. O governo brasileiro e alguns pesquisadores temem pela soberania nacional. Os cientistas ouvidos pela CH on-line, no entanto, não vêem fundamento na preocupação. "Os projetos teriam tempo determinado, e não afetariam de modo algum a soberania", diz Nobre.

 

Renata Ramalho

Ciência Hoje/RJ

maio/2001

 

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http://www.uol.com.br/cienciahoje/chdia/n287.htm

 

Um alerta para a Amazônia

Plano desenvolvimentista deve agravar devastação nos próximos anos

 

(foto de estrada na Amazônia)

Com o projeto Avança Brasil, a malha viária na Amazônia deve passar de 6300 km (excluídos o Mato Grosso e o Maranhão) para 11 mil km de estradas pavimentadas

 

As previsões de devastação da Amazônia brasileira para os próximos anos são alarmantes. Dois estudos estimaram o grau de destruição da floresta associado ao impacto do projeto Avança Brasil. Esse plano do governo prevê investimentos de mais de US$ 40 bilhões em infra-estrutura, com a construção de linhas de trem, hidrelétricas, linhas de energia, gasodutos, hidrovias, além da construção e pavimentação de estradas na Amazônia.

 

O primeiro estudo, publicado em 11 de janeiro na revista Nature, é de autoria de pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), do Instituto Socioambiental (ISA) e do Centro de Pesquisas Woods Hole (WHRC). Os cientistas quantificaram o desmatamento ao longo de três rodovias amazônicas já asfaltadas com idades entre 15 e 35 anos - Belém-Brasília (BR-010), Cuiabá-Porto Velho (BR-364) e PA-150. "75% do desmatamento ocorre na faixa de 50 quilômetros para cada lado das rodovias", afirma Ana Cristina Barros, diretora executiva do Ipam e uma das autoras do estudo.

 

Além da área desmatada pela construção de rodovias, a ocupação em torno delas gera um ciclo de queimadas e exploração de madeira que torna a floresta mais suscetível ao fogo, devido à redução das chuvas - provocada pela fumaça e pela diminuição da evaporação. Esses dados serviram como indicadores para prever o impacto das estradas planejadas pelo Avança Brasil. Em 20 ou 30 anos, estima-se que seria desmatada uma área de 120 mil a 270 mil km2.

 

(dois mapas contendo projeções sobre desmatamento, ver no link:

http://www.uol.com.br/cienciahoje/chdia/n287.htm )

O desmatamento pode variar de 28 a 42%, dependendo de ações do governo

como o cuidado com áreas protegidas e o controle do desenvolvimento

 

O segundo estudo, coordenado por William Laurance, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), foi publicado em 19 de janeiro na revista Science. Ele prevê dois cenários para a Amazônia brasileira nos próximos 20 anos. No otimista, 27,6% da floresta estariam intactos; no não-otimista, restariam apenas 4,7% de mata virgem. Além da destruição ao longo de rodovias já existentes, o estudo considerou o impacto de linhas de trem, gasodutos, redes de energia, hidrelétricas e hidrovias. A construção desses itens requer a abertura de estradas, o que aumenta o acesso à floresta, ainda que provoque um desmatamento menor que o verificado ao longo de rodovias.

 

Os autores dos dois estudos também sugerem estratégias de desenvolvimento alternativas ao projeto Avança Brasil, como investir em estradas não concluídas, onde a área já foi desmatada. "É preciso ordenar a ocupação e não investir apenas em infra-estrutura. Mas o governo está mais preocupado em aumentar suas divisas, construindo estradas para o escoamento da soja", comenta Ana Cristina. "Outra estratégia é a concentração em atividades agrícolas financeiramente mais produtivas que dispensem queimadas, como plantações de árvores frutíferas", aponta William Laurance.

 

Thaís Fernandes

Ciência Hoje/RJ

30/01/01

 

 


 

http://www.uol.com.br/cienciahoje/chdia/n506.htm

 

Uso da terra determina emissão de CO2 na Amazônia

Desmatamento pode comprometer sustento biológico, químico e físico da floresta

 

Diferentes usos da terra podem alterar a quantidade de dióxido de carbono (CO2) trocado entre a floresta amazônica e a atmosfera. Essa diferença, resultante do desmatamento e da exploração da floresta pelo homem, poderia provocar conseqüências climáticas e ambientais em escala regional e global. Isso é o que indicam resultados preliminares do Experimento de Grande Escala de Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), que tem como meta entender o papel das florestas no equilíbrio ambiental.

 

 

Grande parte dos projetos do LBA em andamento investiga áreas transformadas pelo desmatamento. O objetivo é entender como as mudanças no uso da terra afetam o fluxo de carbono, de outros gases e de energia entre a floresta e a atmosfera -- e quais as implicações dessas mudanças para o funcionamento dos ecossistemas amazônicos.

 

"Ao absorver excesso de CO2, a floresta presta um serviço ambiental. Caso o desmatamento esteja afetando isso, a concentração de CO2 pode acelerar as mudanças climáticas resultantes do aumento do efeito estufa", diz o climatologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

 

Dados preliminares da pesquisa mostram que, nas florestas tropicais úmidas que não sofreram ação recente do homem, a absorção de CO2 pode variar entre 2 a 6 toneladas por hectare. Nas pastagens geradas pelo desmatamento e numa floresta de transição em Mato Grosso, constatou-se uma situação de equilíbrio no balanço de carbono: há seqüestro de CO2 da atmosfera no período chuvoso e perda durante a seca.

 

Segundo o físico do Inpe Antônio Manzi, esses dados ainda são bastante incertos. "Medições complementares devem ser feitas antes de generalizar os resultados", diz. Segundo ele, variações no relevo podem gerar algumas falhas nas medições. "À noite, por exemplo, a superfície se esfria e o ar se torna denso. Com isso, o CO2 pode escoar para partes mais baixas do terreno e dificultar a medição."

 

A principal dúvida metodológica é se a instrumentação utilizada permitiria medir pela manhã o CO2 emitido pela floresta numa noite sem vento. "É preciso fazer medições por mais alguns anos," diz Nobre. "O LBA vai até 2004, mas devemos manter as medidas até 2010 ou torná-las permanentes." Outro fator que intriga os cientistas é a alta taxa de absorção de carbono pela Amazônia. "Há que se explicar para onde está indo esse excesso de carbono, ele tem que estar indo para algum lugar, como troncos, galhos ou raízes."

 

Os cálculos de trocas de CO2 e de energia são feitos por 13 torres instaladas em diversos sítios experimentais da Amazônia e na região do cerrado. A cada segundo, 10 medições avaliam a velocidade do vento, a temperatura ambiente e a concentração de água e gás carbônico na atmosfera. A idéia é gerar uma base de dados científicos sobre o funcionamento dos sistemas naturais e transformados da Amazônia -- informações fundamentais para o desenvolvimento sustentável da região.

 

Em dezembro, o LBA realizou um workshop para comparar as medições de fluxo de CO2 nas torres, discutir limitações metodológicas e apontar possíveis soluções. O evento reuniu 60 participantes (40 dos quais brasileiros) que apresentaram seus sítios de pesquisa e a metodologia adotada. De modo geral, os resultados confirmaram o seqüestro de CO2 pela floresta e a necessidade de estudos complementares.

 

Leia também:

Seqüestro de carbono pela floresta amazônica

Amazônia absorve excesso de gás carbônico da atmosfera

Nuvens marítimas sobre a Amazônia

 

Leia ainda o Especial Amazônia

publicado em 2001 pela CH on-line

 

Sarita Coelho

Ciência Hoje on-line

17/12/01

 


 

http://www.uol.com.br/cienciahoje/chdia/n331.htm

 

Seqüestro de carbono pela floresta amazônica

Quanto mais alta a exposição ao gás carbônico, mais rápido crescem as árvores

 

(foto de igarapé na Amazônia)

A Amazônia é capaz de fixar nas árvores cerca de 1,2 toneladas de

carbono por hectare a cada ano (fotos: arquivo Niro Higuchi / Inpa)

 

A floresta amazônica pode absorver grande quantidade do dióxido de carbono (gás carbônico ou CO2) - um dos principais compostos da poluição atmosférica liberada pelo homem em processos como a queima de combustíveis. Recentemente, observou-se que, quanto maior for a exposição das árvores da floresta a esse gás, mais rápido será seu crescimento. Essa é uma das conclusões do estudo feito em colaboração entre cientistas do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa) e da Universidade da Califórnia em Irvine (Estados Unidos) e publicado na revista Nature em 22 de março.

 

Sempre se acreditou que a Amazônia (uma floresta tropical úmida) estava em equilíbrio, ou seja, que aspirava e expelia a mesma quantidade de gás carbônico. As plantas obtêm energia por dois processos: a fotossíntese (em que aprisionam gás carbônico e liberam oxigênio) e a respiração (em que as trocas gasosas se dão de forma inversa). No entanto, resultados de observações sucessivas ao longo dos últimos 20 anos mostram que a floresta é capaz de fixar nas árvores cerca de 1,2 toneladas de carbono por hectare a cada ano (um hectare tem 10 mil metros quadrados, medida similar à de um campo de futebol). "Se considerarmos que a Amazônia tem por volta de 250 milhões de hectares, chega-se à conclusão que a floresta pode absorver até 300 milhões de toneladas de carbono por ano", afirma Niro Higuchi, engenheiro florestal do Inpa e um dos autores da pesquisa em questão.

 

A concentração excessiva de gás carbônico na atmosfera é responsável pelo efeito estufa, fenômeno que contribui para o aquecimento da Terra e pode levar a efeitos como enchentes, secas e aumento do nível dos mares. Só o Brasil emite, em média, 65 milhões de toneladas do gás poluente para a atmosfera a cada ano por meio da queima de combustíveis fósseis.

 

(foto de pesquisador na floresta)

Medição do crescimento no diâmetro provocado

pela fixação do carbono no caule da árvore

 

Outro resultado que surpreendeu os autores do estudo diz respeito ao crescimento das árvores. Segundo Higuchi, que estuda a Amazônia há 21 anos, elas crescem proporcionalmente à quantidade de gás carbônico a que são expostas. "Nossos experimentos mostraram que, quando dobra a quantidade de exposição de dióxido carbono, a árvore cresce, em média, 25% mais rapidamente." Um trabalho anterior, também publicado na Nature, havia verificado a idade das árvores de terra firme (trecho não inundado nas épocas de cheia dos rios). "Encontramos exemplares com até 1400 anos", conta o pesquisador.

 

O próximo objetivo de Higuchi é entender melhor o que ocorre nas raízes das árvores - um importante e pouco estudado reservatório de carbono. "Isso tudo faz parte de um projeto que pretende traçar um modelo geral sobre a Amazônia", afirma o cientista. Segundo ele, o estudo poderá ser útil para o desenvolvimento sustentável da região e para prever a conseqüências de situações diversas como queimadas, por exemplo.

 

Leia mais:

O impasse de Haia

Amazônia absorve excesso de CO2 da atmosfera

 

 

Pablo Pires Ferreira

Ciência Hoje/RJ

02/04/01

 

 


 

http://www.uol.com.br/cienciahoje/chdia/n248a.htm

 

O impasse de Haia

Não há consenso para regular redução da emissão de gases do efeito estufa

 

(foto da floresta)

EUA propõem que países que têm florestas como a Amazônia, que

seqüestram carbono durante a fotossíntese, possam emitir mais CO2

 

Terminou em impasse no dia 24 de novembro a 6º Conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, realizada em Haia, Holanda. Preocupados com as conseqüências do aquecimento global, delegados de 185 países se reuniram para tentar resolver questões pendentes do Protocolo de Kyoto - documento assinado por 84 países desde 1997 que estabelece metas e prazos para a redução das emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa. Os delegados não chegaram a nenhum acordo, e uma nova conferência foi marcada para maio de 2001, na Alemanha.

 

Um dos pontos mais polêmicos discutidos na conferência foi a possibilidade, proposta pelos Estados Unidos, de países industrializados compensarem suas grandes emissões de gases do efeito estufa com as florestas existentes em seus territórios (que funcionam como sumidouros de gás carbônico), com investimentos em projetos ambientais ou com a criação de um Fundo de Desenvolvimento Limpo, que prevê a utilização de fontes alternativas de energia nos países em desenvolvimento. Tanto os países em desenvolvimento quanto os da União Européia rejeitaram as propostas norte-americanas. "Isso já era esperado", afirma Antônio Fernando Pinheiro, da Associação Brasileira dos Advogados Ambientalistas. "O andamento dos acordos de âmbito internacional é mesmo lento."

 

Segundo Pinheiro, países como os Estados Unidos (que, segundo o Protocolo de Kyoto, deverão reduzir cerca de 5,2% de suas emissões de dióxido de carbono) têm interesse em investir na preservação da Amazônia, um dos grandes sumidouros de carbono do mundo (por seqüestrar CO2 no processo de fotossíntese), para poderem continuar emitindo o CO2, rejeito de suas indústrias. "Mas o Brasil não quer 'vender' suas florestas, porque isso implicaria um monitoramento por parte dos investidores", diz Pinheiro. "A soberania do país está em jogo."

 

Leia mais sobre efeito estufa e aquecimento global

 

Andressa Camargo

Ciência Hoje/RJ

29/11/00

 

 


 

http://www.uol.com.br/cienciahoje/chdia/n130.htm

Amazônia absorve excesso de CO2 da atmosfera

Estudo aponta que o saldo pode chegar a 5 toneladas anuais por hectare

 

(foto da floresta amazônica)

A Amazônia absorve mais CO2 do que libera e atua como sorvedouro de carbono

 

A Floresta Amazônica retira todos os dias uma quantidade significativa de dióxido de carbono (CO2) da atmosfera. Medições recentes indicam que a diferença entre o CO2 absorvido e liberado por cada hectare de floresta pode chegar a 5 toneladas anuais. Esta é uma das principais conclusões de uma pesquisa desenvolvida pelo Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), uma frente internacional de estudos sobre o ecossistema amazônico liderada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

 

Durante seu processo de fotossíntese, as plantas absorvem gás carbônico da atmosfera. Na ausência de luz, os vegetais emitem CO2 pela respiração. O carbono da floresta também pode ser liberado sob a forma de queimadas ou desmatamento. Até agora, havia um consenso entre os cientistas segundo o qual a floresta não pertubada seria neutra. "Acreditava-se que a Amazônia não perdesse nem ganhasse carbono durante os processos de fotossíntese e respiração, apresentando apenas uma pequena perda para os rios, compensada pelos ganhos atmosféricos", relata Carlos Nobre, chefe do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do INPE.

 

No entanto, a expectativa não foi confirmada pela pesquisa do LBA. Dados coletados por torres colocadas sobre a copa das árvores para monitorar as trocas de carbono na Amazônia mostram que, no cômputo geral, a floresta absorve um percentual expressivo de gás carbônico. Esse resultado caracteriza o ecossistema como um sorvedouro de carbono. Os pesquisadores ainda não sabem a causa desse comportamento. Uma hipótese foi levantada durante o I Conferência do LBA, realizada em Belém entre 25 e 28 de junho: com o excesso de gás carbônico lançado na atmosfera por desmatamentos e queimadas, as plantas estariam executando o processo de fotossíntese com maior eficiência.

 

Segundo Carlos Nobre, a descoberta pode mudar a imagem da Amazônia. "A floresta talvez passe a ser reconhecida não apenas por sua biodiversidade, mas pela possibilidade de contribuir para contrabalancear o efeito estufa." Esse efeito, caracterizado pelo aquecimento da atmosfera, é provocado por gases como o CO2 que retêm o calor solar.

 

Leia mais sobre outros estudos apresentados na conferência do LBA.

Mara Figueira

Ciência Hoje/RJ

04/07/00

 


 

http://www.uol.com.br/cienciahoje/chdia/n248b.htm

Aquecimento global: causas e conseqüências

Temperatura da Terra teria aumentado 1º C ao longo do século 20

 

(mapa mundial com distribuicao a cores das areas de aquecimento)

Quanto a temperatura deve aumentar em cada país, segundo o Centro de Pesquisa Tyndall sobre Mudança Climática da Universidade de East Anglia (Reino Unido)

 

O efeito estufa é um processo natural que ocorre porque o acúmulo de gases como dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4) forma uma barreira que impede o calor do sol de sair da atmosfera. Esse fenômeno é o que mantém o planeta aquecido e possibilita a vida na Terra. Entretanto, quando a concentração desses gases é excessiva, o aumento da temperatura pode trazer conseqüências como o derretimento das calotas polares, o aumento dos níveis do mar e o desaparecimento de ilhas no Pacífico.

 

Segundo o professor Luiz Pinguelli Rosa, da Coordenação de Programas de Pós-graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de janeiro (Coppe/UFRJ), a temperatura da Terra aumentou 1º C ao longo do século 20, em um processo iniciado na Revolução Industrial. No mesmo intervalo, a concentração de CO2 passou de 200 para 370 ppm (partes por milhão). A previsão é que o planeta esquente mais 2º C entre 2050 e 2100 e que, com isso, o nível dos oceanos suba de forma a ameaçar o território de pequenas ilhas. "Os países industrializados devem diminuir 5,2% das emissões de gases do efeito estufa e isso é o mínimo necessário para começarmos uma política de controle", diz Pinguelli. "Hipotecar a Amazônia é uma fuga do problema."

 

Mas não há consenso entre os pesquisadores quanto à causa das mudanças climáticas. Luiz Carlos Molion, do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), afirma que o aquecimento global é apenas uma hipótese, e que não há prova que o associe a atividades humanas. Segundo o cientista, as estações climatológicas que vêm colhendo dados há mais de 150 anos estão situadas em metrópoles e registraram aumentos de temperatura por se tratar de um efeito da urbanização. "A média de temperatura feita por satélite não mostra aquecimento no total da Terra desde 1978", garante ele. O acréscimo de CO2 na atmosfera é visto por Molion como um processo natural resultante do aquecimento dos oceanos. "Entre 1915 e 1945, a atividade vulcânica foi muito fraca e a atmosfera ficou transparente. A Terra esquentou por causa disso."

 

Leia outros textos da seção Ciência em Dia sobre o mesmo tema:

Aquecimento global ameaça hábitats

Camada de gelo da Groenlândia está diminuindo

Revisão dos modelos de aquecimento global

 

Andressa Camargo

Ciência Hoje/RJ

29/11/00

 


 

Leia mais sobre a teoria dos refúgios

nos perfis de Aziz Ab'Sáber e Paulo Vanzolini

 

Teoria dos refúgios e redutos

Modelo pode ser a explicação para a grande biodiversidade da América do Sul

http://www.uol.com.br/cienciahoje/perfis/absaber/absaber4.htm

 

Segundo a teoria, durante a última glaciação, a Amazônia teria se

reduzido a pequenas reservas (foto de Amazônia - do discurso à

práxis, livro de ensaios de Ab'Sáber sobre a região)

 

Em 1957, ciceroneando o geógrafo francês Jean Tricart em uma excursão pelo interior de São Paulo, Aziz Ab'Sáber e ele observaram a ocorrência de stone lines (linhas de pedra) em um barranco. Até então, essas linhas eram um enigma para os brasileiros, mas Tricart desfez o segredo: elas poderiam ser remanescentes de um chão pedregoso do passado, algo semelhante a certas formações de pedras típicas do Nordeste. A observação estimulou Ab'Sáber, que passou a se dedicar ao estudo das linhas de pedra.

 

O geógrafo concluiu que os locais onde elas ocorriam haviam sido um dia regiões de caatinga, enquanto as matas teriam ficado reduzidas a pequenas reservas que ele inicialmente chamou de redutos. Isso teria ocorrido na era de glaciação do Pleistosceno, época que vai de 2 milhões de anos atrás a 10 mil anos atrás. Durante a glaciação, o clima ficou mais seco e frio, enquanto algumas áreas com maior umidade seriam ideais para os redutos de matas. Antes dessa glaciação, as condições já eram grosso modo similares às encontradas pelos colonizadores europeus no século 16.

 

(fotos dos dois pesquisadores)

Paulo Emílio Vanzolini (esq.) e Aziz Ab'Sáber deram

importantes contribuições para a Teoria dos refúgios

 

Os biólogos se interessaram pela teoria dos redutos: o zoólogo Paulo Emílio Vanzolini passou a desenvolver um trabalho em cima do apresentado por Ab'Sáber, abordando o que teria ocorrido com os animais submetidos a essas circunstâncias. Vanzolini concluiu que, se houve redutos de mata, a fauna existente na época teria se refugiado nesses locais, que passaram a ser chamados de refúgios. Assim, a mesma espécie teria ficado dividida em diversos refúgios separados por barreiras ecológicas, sendo submetida a diferentes condições de sobrevivência. Cada uma delas teria sofrido especiação (mutação da espécie de acordo com sua adaptação ao ambiente). Essa poderia ser uma das causas da grande biodiversidade na América do Sul.

 

Quando as condições climáticas voltaram a ser as mesmas, as barreiras ecológicas (ou caatingas, como havia proposto Ab'Sáber) desapareceram e as matas originais retomaram o território perdido. As espécies, separadas por longos períodos, voltaram a conviver. No entanto, em muitos casos, a especiação havia sido tanta que a mesma espécie original já não tinha mais compatibilidade suficiente para que ocorressem cruzamentos.

 

Renata Ramalho

Ciência Hoje/RJ

Leia mais sobre a concepção da teoria dos refúgios

no perfil de Paulo Emílio Vanzolini

Início | O filho de Nacib | Combatendo os problemas brasileiros

Teoria dos refúgios e redutos

 


 

Leia mais sobre a concepção da teoria dos refúgios

no perfil de Paulo Emílio Vanzolini

Início | O filho de Nacib | Combatendo os problemas brasileiros

Teoria dos refúgios e redutos

http://www.uol.com.br/cienciahoje/perfis/vanzo/vanzo4.htm

 

História de uma teoria

Modelo dos refúgios foi criado com colaborações de Ab'Sáber, Williams e Haffer

 

(foto do pesquisador dirigindo um barco)

Vanzolini durante expedição de 1993 à Amazônia

 

Certa vez, Paulo Emílio Vanzolini teve um aluno que queria fazer uma tese sobre o alto Tietê e as cabeceiras do alto Paraíba. O zoólogo achou que seria importante pedir auxílio a um geógrafo, e decidiu recorrer ao professor da USP Aziz Ab'Sáber. "No primeiro dia, ficamos amigos."

 

Algum tempo depois, Vanzolini estava fazendo uma pesquisa sobre uma lagartixa do gênero Liolaemus que é encontrada em Torres, no Rio Grande do Sul, e no Recreio dos Bandeirantes, bairro do Rio de Janeiro. A lagartixa vive em ambiente de dunas, e o herpetólogo comentou com Ab'Sáber que seria interessante saber quando existiram dunas contínuas entre o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro, para reconstituir a história da distribuição. "Essa é uma das poucas coisas que se sabe", respondeu o geógrafo. A partir daí, Vanzolini começou a se interessar sobre o assunto da teoria dos refúgios.

 

"O tema já era anterior ao nosso trabalho", ressalta o zoólogo. No entanto, ele começou a trabalhar sobre sua aplicação e a formular a teoria em conjunto com o americano Ernest Williams, de Harvard. A distância dificultava que os dois escrevessem o trabalho, e Williams estava no Brasil para finalmente colocar os dados obtidos no papel quando Vanzolini recebeu da revista Science um artigo do geofísico alemão Jürgen Haffer, para que ele desse um parecer. No artigo, o alemão propunha um modelo semelhante aos refúgios de Vanzolini para explicar a ocorrência de aves na Amazônia (Vanzolini e Williams estavam trabalhando com répteis).

 

Mas os dois colegas não desanimaram: as coincidências significavam que eles estavam no caminho certo. O zoólogo juntou alguns artigos de Ab'Sáber, o material preparado por ele e Williams e mandou para a Science, solicitando que seu parecer não fosse mantido em sigilo. Haffer, que estava na África do Sul quando recebeu o material, pegou imediatamente um avião e veio para o Brasil. Ao contrário dos conflitos tão comuns em casos como esse, os cientistas que estavam trabalhando na teoria passaram a desenvolver uma colaboração. "Hoje somos grandes amigos", diz Vanzolini.

 

Renata Ramalho

Ciência Hoje/RJ


 

 

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Samba de um zoólogo paulistano

Paulo Emílio Vanzolini elaborou a teoria dos refúgios e compôs "Ronda"

 

(foto do pesquisador bebendo num cantil)

O zoólogo (dir.) durante expedição ao Pantanal Mato-grossense

 

O zoólogo Paulo Emílio Vanzolini é um autêntico paulistano: nascido em São Paulo em 25 de abril de 1923, ele é o autor da música "Ronda", considerada hino da cidade. No entanto, a maioria de seus fãs não sabe que a música funciona apenas como hobby do cientista. Na realidade, foi como herpetólogo (especialista em répteis) que Vanzolini obteve reconhecimento internacional no meio científico.

 

O zoólogo é um dos grandes responsáveis pelo desenvolvimento da ciência em sua cidade. Foi ele quem escreveu a lei que criou a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e também quem organizou o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP). Sob seus cuidados, a coleção de répteis e anfíbios da instituição passou de 1200 para 230 mil exemplares, e a biblioteca, montada com o dinheiro que ele ganhou com a música, é reconhecida como um dos mais completos acervos de herpetologia do mundo.

 

(foto de edifício)

Vanzolini deu impulso à biblioteca e à coleção de

répteis e anfíbios do Museu de Zoologia da USP

 

Muitos dos animais que se encontram no museu foram descobertos pelo zoólogo, e a grande maioria foi fichada por ele. Vanzolini não gosta de trabalhar em parceria e prefere se responsabilizar pessoalmente por cada etapa do estudo. Foi a partir de parcerias, no entanto, que nasceu seu trabalho mais conhecido: a teoria dos refúgios. Baseada em trabalho do geomorfologista Aziz Ab'Sáber, a teoria foi desenvolvida por Vanzolini em outra colaboração que funcionou bem, com o americano Ernest Williams.

 

Desde muito novo, o zoólogo realizou expedições pelo Brasil afora. Sobre uma de suas viagens à Amazônia, o cineasta Ricardo Dias realizou o documentário No Rio das Amazonas. "Acho a floresta o melhor lugar do mundo", disse certa vez em entrevista a Ciência Hoje. Esse é o hábitat de alguns dos vários animais que descobriu. Além deles, o nome do zoólogo batiza também diversas espécies descritas por outros pesquisadores, como um sapo Vanzolinius ou um gambá Vanzolini. "Isso é normal nessa área", diz, fazendo pouco caso da merecida homenagem.

 

Embora aposentado, Vanzolini continua a ir ao museu todos os dias, inclusive aos sábados. "É o melhor dia, porque não tem ninguém." Lá, ele faz suas pesquisas, consulta livros e utiliza o computador, que considera uma grande revolução. O zoólogo desenvolve os programas que usa e já fez curso de computação. "Mas quando a máquina dá pau, peço socorro."

 

Renata Ramalho

Ciência Hoje/RJ

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Amor à primeira vista

Paulo Vanzolini apaixonou-se por cobras e répteis aos 14 anos

 

(foto do pesquisador manioulando frascos)

O zoólogo trabalha em seu laboratório no Museu de Zoologia da USP

 

Quando Paulo Emílio tinha dez anos, seu pai, Carlos Alberto Vanzolini, deu-lhe uma bicicleta. Querendo estrear o presente, o menino foi pedalando até o Instituto Butantan. "Me apaixonei imediatamente pelas cobras e répteis", conta o zoólogo, que aos 14 anos já era estagiário do Instituto Biológico de São Paulo. Data dessa época sua primeira grande viagem: acompanhando a equipe do Instituto em expedição ao Mato Grosso, o jovem foi encarregado do serviço braçal.

 

O geneticista André Dreyfuss era amigo de seu pai e o conhecia desde pequeno. Quando Vanzolini concluiu o secundário, Dreyfuss aconselhou-o a fazer medicina na graduação e uma especialização em zoologia no exterior posteriormente. Segundo ele, no curso de biologia, o professor de zoologia não entendia nada de vertebrados. Vanzolini ouviu o geneticista: formou-se em medicina e foi fazer pós-graduação em Harvard, nos Estados Unidos.

 

O zoólogo partiu sem saber falar inglês e com dinheiro para ficar apenas seis meses. Ao final desse período, disse a seu orientador que precisava conseguir um emprego ou uma bolsa, senão teria que voltar para casa. "Ele imediatamente me arranjou um ótimo emprego, uma excelente bolsa e fiquei muito feliz", conta. O herpetólogo passou então a dar aulas. Graças ao curso de medicina feito no Brasil, eliminou diversas matérias e concluiu o curso em tempo recorde: cinco semestres.

 

De volta ao país, Vanzolini decidiu fazer a prova para ser professor de zoologia na USP. Não passou. Os professores sabiam que aceitá-lo seria dar munição ao inimigo - Vanzolini era contra o sistema de cátedras vigente. Cada professor catedrático tinha uma série de assistentes que davam aula por ele. "O catedrático tinha poder de vida e morte sobre seus assistentes", descreve. O herpetólogo defendia o sistema que temos hoje, seguindo o modelo americano, em que cada professor é responsável por suas disciplinas.

 

(foto de carreta de bois puxando Kombi, tirada pelo pesquisador)

Foto que Vanzolini tirou em expedição a Guimarães

Rosa (MG) para enviar à Volkswagen, mostrando

que sua Kombi precisava ser puxada por bois

 

Ainda nos anos 40, Vanzolini começou a viajar para a Amazônia como zoólogo. Em suas expedições por diversos lugares do país, conviveu com índios, coletou bichos para a coleção do museu de zoologia e para suas pesquisas e relacionou muitos deles que ainda eram desconhecidos. Suas notas são todas organizadas e encadernadas. "Nunca joguei fora um pedaço de papel", orgulha-se. Em 1962, Vanzolini foi nomeado diretor do museu de zoologia, onde constituiu o notável acervo de répteis e anfíbios e a biblioteca que, segundo ele, "tem cem por cento do que se publicou sobre répteis na América do Sul".

 

Renata Ramalho

Ciência Hoje/RJ

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O cientista compositor

Vanzolini ficou conhecido por ter escrito sambas como "Ronda" ou "Volta por cima"

 

(foto antiga da Av. SJ, em São Paulo)

Avenida São João, em São Paulo, cantada por Vanzolini no clássico "Ronda"

 

Embora não se canse de repetir que é um cientista, um homem de museu, Paulo Emílio Vanzolini é mais conhecido pelo grande público por seu trabalho como compositor. São dele canções como "Ronda", verdadeiro hino da boemia paulistana, e "Volta por cima", em que cunhou a expressão que hoje é amplamente usada e que já consta até do Dicionário Aurélio.

 

O contato de Vanzolini com a música começou quando ainda era estudante. Ele freqüentava muito o centro acadêmico da faculdade de direito, que promovia um show do qual passou a ser apresentador. Pouco tempo depois, ele interromperia a faculdade para servir o exército - Vanzolini foi voluntário, pois queria lutar na Segunda Guerra Mundial. Seu batalhão, no entanto, não foi convocado, e ele teve que se resignar com as rondas que fazia pela zona de baixo meretrício de São Paulo. Nessa época, inspirado pelo que via nas ruas, o zoólogo compôs "Ronda". "A música não tem nenhum fato real por trás", trata logo de explicar.

 

Com o falecimento do pai, Vanzolini foi trabalhar na TV Record fazendo produção. "Por meia hora na semana, eu ganhava muito mais que pelo mês inteiro no museu." A São Paulo da época tinha apenas duas redes de televisão, que decidiram fazer um projeto juntas. O zoólogo ficou responsável por trazer cantadores nordestinos, e decidiu pesquisar os diferentes tipos de toada. Na hora da apresentação, ele mesmo orientava os artistas. Muitos passaram a procurá-lo por causa disso, e seu envolvimento com a música foi ficando cada vez maior.

 

(foto do pesquisador, sem legenda)

 

No entanto, foi o zoólogo Vanzolini o homenageado pela escola de samba Mocidade Alegre, de São Paulo. Quando recebeu o convite, disse que aceitaria, mas não desfilaria. Porém, quando chegou ao barracão e viu tudo pronto, todos os seus amigos arrumados para entrar na avenida, emocionou-se e não resistiu: foi junto. "Foi comovente", lembra.

 

O zoólogo ressalta que a música sempre funcionou como um hobby em sua vida. Diz que seu único disco bom é Onze sambas e uma capoeira, e não gosta de ser chamado de boêmio. Reclama da forma como é gerido o direito autoral no Brasil, diz que acha muito esquisito Caetano Veloso ter usado 14 compassos de "Ronda" em "Sampa" e lembra a vez em que Paulo Maluf usou sete compassos de uma música sua em um comercial - são necessários oito para configurar plágio. "Escrevi para o 'Painel do Leitor' da Folha de S. Paulo denunciando. No dia seguinte, o Maluf enviou um cheque." O dinheiro ganho com a música, porém, sempre teve destino certo: a ciência.

 

Renata Ramalho

Ciência Hoje/RJ

Conheça algumas letras compostas por Paulo Emílio Vanzolini

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 http://www.mpbnet.com.br/musicos/paulo.vanzolini/index.html

 

 

Paulo Vanzolini

(foto do pesquisador-compositor)

Foto: Abril Press

 

Paulo Emílio Vanzolini nascem em São Paulo SP em 25 de Abril de 1924. Filho de um engenheiro, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro RJ, quando tinha quatro anos. De volta a São Paulo em 1930, cursou o primário no Colégio Rio Branco e fez o ginásio numa escola publica, terminando o curso em 1938. Quatro anos depois entrou para a Faculdade de Medicina, passando a freqüentar as rodas boêmias de estudantes e a compor seus primeiros sambas. Saiu da casa dos pais em 1944 e começou a trabalhar com um primo, Henrique Lobo, na Rádio América (programa Consultório Sentimental, de Cacilda Becker), sendo logo depois convocado para o Exercito, o que o obrigou a interromper os estudos. Dois anos depois, retomou o curso de medicina, começou a dar aulas no Colégio Bandeirantes e foi trabalhar no Museu de Zoologia, da Universidade de São Paulo. Formou-se em 1947, casou no ano seguinte, e foi para os EUA, onde se doutorou em zoologia, na Universidade de Harvard.

 

Em São Paulo em 1951, compôs o samba Ronda, por essa época, e publicou um livro de versos, Lira. Convidado por Raul Duarte, passou a trabalhar na TV Record, de São Paulo, em 1953, produzindo os programas de Araci de Almeida. Ainda em 1953, Bola 7 fez a primeira gravação de Ronda, acompanhado por Garoto e Meneses, nas cordas, Mestre Chiquinho no acordeão e Abel na clarineta. Mais tarde, em 1959, ofereceu seu samba Volta por cima à cantora Inezita Barroso, que não quis gravá-lo. Por influencia de seu amigo José Henrique (violonista e dono da boate Zelão), voltou a mostrar o mesmo samba ao cantor Noite Ilustrada, que o lançou pela Philips em 1963, com grande sucesso. Nesse ano tornou-se diretor do Museu de Zoologia. Continuou acumulando composições inéditas, conhecidas apenas por restrito grupo de boêmios, principalmente os freqüentadores da boate Jogral, onde costumava cantar.

 

Em novembro de 1967, seus amigos Luís Carlos Paraná (dono da boate Jogral) e Marcus Pereira (então dono de uma agencia de publicidade) resolveram produzir um LP com músicas suas – 11 sambas e uma capoeira – interpretadas por vários cantores, entre os quais o próprio Paraná (Capoeira do Arnaldo), Chico Buarque (Praça Clóvis e Samba erudito) e Cristina (Chorava no meio da rua). No ano seguinte, com Toquinho, seu único parceiro, inscreveu a música Na boca da noite no II FIC, da TV Globo, vencendo a parte paulista do concurso. Com Toquinho compôs, ainda, Boba e Noite longa, ambas em 1969. Só teve, porém, novas músicas gravadas em 1974, ano em que Cristina lançou Cara limpa no seu primeiro LP, e Marcus Pereira, agora dono da gravadora de mesmo nome, editou um segundo LP – A música de Paulo Vanzolini – com músicas interpretadas por Carmen Costa e Paulo Marques, entre elas Mulher que não da samba, Falta de mim, Teima quem quer. Em 1997 foi homenageado, na USP, com show em que foi apresentada uma nova música sua, Quando eu for, eu vou sem pena.

 

Biografia: Enciclopédia da Música Brasileira

Art Editora e PubliFolha

 

Capoeira do Arnaldo

 Cuitelinho

 Na Boca da Noite

 Praça Clóvis Ronda

 Samba Erudito

 Volta Por Cima

 

Escute uma amostra do trabalho:

Capoeira do Arnaldo

(Paulo Vanzolini)

Com Luiz Carlos Paraná

 

 

Informações: mpbnet@cambui.com.br

 


 

Perfis de Ciência Hoje:

Introdução: conhecendo quem faz ciência no Brasil.

arquivo

http://www.uol.com.br/cienciahoje/perfis.htm

 

 

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(Fim do Dossier)

(Se voce preferir, pode efetuar o download deste dossier em formato .doc, neste link)

 

(Realizado em Orlando, Paulo Roberto de Almeida: 8-9.01.2002)