ESG na Amazônia
Memória-reportagem
de Ivo de Almeida Prado Xavier

Minha visita a Surucucu. Os índios são Ianomâmis.
A Escola Superior de Guerra (ESG), criada em 1949, esteve na Amazônia
nos dias 30 de agosto a 03 de setembro (DE QUE ANO?, Ivo?: 2004?),
com o objetivo de coletar dados e aspectos relevantes para a fase de avaliação
da conjuntura nacional, e aplicar, sob a ótica de defesa nacional, o
método de planejamento estratégico da Escola, tarefa a ser executada
pelas diversas equipes de estudos do curso de Altos Estudos de Política
e Estratégia (CAEPE).
Subordinada ao Ministério da Defesa, a ESG é um Instituto de Altos
Estudos que proporciona, com base nos valores constitucionais, a sistematização
de conhecimentos sobre a realidade brasileira, com ênfase para a Defesa
Nacional, e a aplicação de metodologia de planejamento e de gestão
estratégicos.
Os seus cursos desenvolvem-se por meio de palestras, conferências, discussões
dirigidas, painéis, trabalhos em grupo e viagens de estudos, durante
os quais são visitados institutos de pesquisa, empresas de grande porte
dos setores público e privado, estabelecimentos agrícolas e portuários,
governos estaduais, organizações militares e de desenvolvimento
regional.
A viagem de estudos à região Amazônica resultou de diretriz
do Ministro de Estado da Defesa, Exmo. Sr. Embaixador José Viegas, exposta
na aula inaugural da Escola, em março deste ano. O Ministro deixou claro,
naquela oportunidade, que as atividades de estudos da ESG deveriam ser redirecionadas,
prioritariamente, para os problemas da Amazônia.
A ida da Escola à região possibilitou aos estagiários conhecerem
os Comandos de Brigadas e de Pelotões Especiais de Fronteira do Exército
Brasileiro (PEF), unidades do SIVAM/SIPAM (Sistema de Vigilância da Amazônia/Sistema
de Proteção da Amazônia) e aldeias indígenas como
a dos Ianomâmis.
No primeiro dia, 30 de agosto, alguns estagiários visitaram o Centro
Regional (CR) e o Centro de Vigilância Aérea (CVA) do SIVAM/SIPAM
em Manaus, quando tiveram a oportunidade de assistir à palestra sobre
o Sistema de Vigilância e Proteção da Amazônia, proferida
pelo chefe do Serviço Regional de Proteção ao Vôo
de Manaus, Coronel Aviador Iscariot.
No dia seguinte, a comitiva foi dividida em quatro grupos, distribuídos
em duas aeronaves C-91 (AVRO) e dois C-115 (Búfalo) da Força Aérea.
O primeiro grupo seguiu para o Estado de Rondônia (Porto Velho e Forte
Príncipe da Beira). O segundo foi para Roraima (Boa Vista e Surucucu).
O terceiro e o quarto grupos estiveram no Amazonas: Tabatinga e Vila Bittencourt,
São Gabriel da Cachoeira e Maturacá, respectivamente.
Durante a visita, os Comandantes de Brigada apresentaram o trabalho desenvolvido
pelo Exército Brasileiro nas fronteiras Amazônicas. Nos Pelotões
de Fronteira, os estagiários puderam conhecer “in loco” como
é a vida dos militares que servem na região e as dificuldades
operacionais e logísticas para o cumprimento das missões de ocupar,
vigiar e defender a Amazônia brasileira.
A experiência da viagem para os estagiários civis foi importantíssima.
Segundo o engenheiro Sr. Israel Blajberg, funcionário do BNDES, que esteve
em São Gabriel da Cachoeira e Maturacá, “a visita de estudos
enriqueceu sobremaneira o esforço de preparo para o futuro exercício
de funções civis e militares ligadas à direção
e assessoramento em áreas como a defesa nacional, administração
pública e diversas outras, especialmente no tocante ao conhecimento da
Amazônia”. Essas palavras exemplificam um dos resultados indiretos
do trabalho da ESG, que é o de contribuir para o aperfeiçoamento
da sociedade brasileira, mediante a pesquisa e o debate de opções
político-estratégicas democráticas que possam servir de
subsídios para solução dos problemas nacionais, considerando
o ambiente de Defesa.
A estagiária Dra. Selma Aragão, advogada da OAB e membro da Comissão
de Direitos Humanos dessa Ordem, conta que “o Brasil, com o SIVAM, tem
tudo para exercer a vigilância e a fiscalização da Amazônia
com a maior eficiência possível”.
Outra opinião, bem interessante, é da juíza do trabalho,
Dra. Maria José, que visitou o Comando de Brigada em Boa Vista e o Pelotão
Especial de Fronteira em Surucucu. Ela ficou emocionada com o espírito
de determinação dos soldados e o desprendimento das famílias
dos militares que servem na região. Da experiência vivida na viagem,
a Dra. Maria José disse que “por certo que não se pode separar
a juíza da cidadã. Quem conhece as origens de sua nacionalidade
sente-se cada vez mais comprometido com o que diz o lema da ESG: “conhecer
o Brasil para melhor servi-lo’”.
Depois de conhecer São Gabriel da Cachoeira, a professora da UNI-RIO,
Sra. Mariza Bottino, exclamou: “Foi o ápice! O curso se materializou
nesta viagem” . Ela sentiu aflorar o sentimento de brasilidade no contato
com os índios em Maturacá, quando – assim que chegaram,
foi chamada de “naka” (irmã) por um deles. “Saber o
que está sendo feito pelos bravos militares e suas famílias na
defesa do nosso País e – melhor ainda – acreditando no Brasil,
foi maravilhoso! Os soldados são os nossos defensores invisíveis.
Acho fundamental que as Forças Armadas divulguem cada vez mais o trabalho
de seus militares para unir o povo brasileiro e torná-lo mais cúmplice
das questões nacionais. Quando o povo toma conhecimento, as diferenças
são dirimidas”.
Na ESG enfatiza-se muito o planejamento, ambiente propício para a carreira
de Dr. Wolner Ferreira da Costa, que é auditor fiscal da Receita Federal.
Ele acredita que “políticas de defesa e desenvolvimento não
existem sem arrecadação, e arrecadação precisa de
planejamento. A troca de vivência com pessoas de outros órgãos
ou empresas dá um somatório que dilata os pontos fortes e diminui
os pontos fracos. Ou seja, um aprende com o outro”. Para o Dr. Wolner,
cada um tem uma visão, um enfoque sobre cada assunto e, assim, a troca
de experiências amplia a visão que cada um tem dos problemas nacionais.
“Você começa a vivenciar uma realidade através do
conhecimento dos outros e pode tirar suas próprias conclusões.
Nenhum estagiário sai da ESG como entrou. Todos mudamos e para melhor.
Sairemos daqui com uma visão ampliada dos problemas e com soluções
para apresentar à Sociedade”, afirma o auditor.
O processo de seleção da ESG é orientado no sentido de
obter-se um corpo discente multidisciplinar proveniente das diversas regiões
do país, visando a obter uma adequada representação do
extrato da sociedade brasileira.
Atualmente, funcionam na ESG sete cursos:
1. CAEPE – Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia;
2. CEMD – Curso de Estado-Maior de Defesa;
3. CSIE – Curso Superior de Inteligência Estratégica;
4. CEAEPE – Curso Especial de Altos Estudos de Política e Estratégia
(para estrangeiros);
5. CLMN – Curso de Logística e Mobilização Nacional;
6. CGERD – Curso de Gestão de Recursos de Defesa; e
7. CAESG – Curso de Atualização da ESG.
Quanto aos militares, mesmo fazendo um curso de exigência da carreira,
a oportunidade de estudar na ESG é impar, como podemos confirmar no depoimento
do Coronel Aviador Amauri, que foi designado para atuar como Adido Aeronáutico,
junto à Embaixada do Brasil no Paraguai, no próximo ano: “Não
me enganei ao imaginar que uma visão multilateral da realidade brasileira
poderia ser mais útil para mim. Os variados assuntos em todas as áreas
do Poder Nacional proporcionam a oportunidade de montar um mosaico da situação
do Brasil, dando subsídios para uma análise das relações
entre as diversas áreas”.
Para o Coronel Teodoro do Exército Brasileiro, outra vantagem de estudar
na ESG é a convivência dos militares com os civis. “Todos
os estagiários civis são pessoas de excelente preparo, e a nossa
convivência gera frutos de conhecimento e aprendizado e isso a gente não
consegue extrair de livro nenhum”.
Dr. Luiz Dórea, delegado da Polícia Federal, conseguiu –
através da viagem - ter “uma noção melhor do que
é trabalhar na fronteira. Sem a ESG eu dificilmente poderia constatar
os problemas de quem vive e trabalha na região Amazônica. Agora,
posso repassar essas informações para outros colegas de profissão”.
E isso é o que percebemos, também, no depoimento da desembargadora
do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Dra. Maria Augusta, quando
afirma que a ESG tem-lhe proporcionado um maior conhecimento do País
e do povo brasileiro. Ela acredita que “todos os conhecimentos adquiridos
estarão somados aos sentimentos que vão ajudá-la no seu
dia-a-dia no Tribunal para solucionar os litígios, agora à luz
de uma conscientização mais ampla das possibilidades e deficiências
de nossa gente e de nossos recursos”.
Assim que voltou da viagem, o professor de Filosofia Dr. Miguel Ivan teve a
certeza: “o Brasil tem um só povo e uma só nação
e o diálogo, embasado no real conhecimento dos fatos, é a melhor
via para se resolver qualquer impasse”. Dr. Miguel esteve em São
Gabriel e Maturacá e disse que visitar o PEF foi constatar que o Exército
Brasileiro cumpre bem o seu papel: “Braço Forte, Mão Amiga”.
Todos esses depoimentos reafirmam o bom cumprimento da missão da ESG
de capacitar as elites, civis e militares, para as funções de
direção e assessoramento de alto nível, por meio da educação
por competência e promover reflexões, a fim de contribuir para
a formulação de políticas e estratégias nacionais
relacionadas à Defesa Nacional, de acordo com as diretrizes do Ministério
da Defesa.
Veja também o Memorial do Autor (uma trajetória de vida)